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Origem das Visitas

AROLDO FILHO

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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

BONS SELVAGENS

O caso de Solly Boudissan revela junto ao dos brasileiros ilhados nos distúrbios egípcios a fragilidade, inocência e ineficiência de nossas relações exteriores. Não sabemos nos dar ao respeito em política internacional, refletindo nosso execrável multiculturalismo global:

Nosso Carnaval releva a vocação nacional ao tráfico de pessoas, nosso mercado sexual, nossa servil e baixa atitude grosseira "típica" e que gostamos tanto de exaltar com filmes esteriotipados. E assim mesmo, queremos ser respeitados como se não vivêssemos midiaticamente para patrocinar a vulgaridade. Não, nem todo brasileiro é um piegas tarado, arrasador sedutor latino, ou um negro favelado psicopata. Sabemos bem. Somos também trabalhadores esforçados, donas de casa, professores, alunos, pessoas que gostam de praia e comida temperada, e que conservam uns pés frutígeros no quintal, escutam pássaros quando estão em silêncio, convivem em um ambiente com preponderância do elemento natural. Sabemos, e duvidamos da qualidade de nossa normalidade. Preferimos o exótico*: o exagerado, o piegas, o irrealístico curioso o suficiente para agradar nossos pais e agiotas do Norte. Não, não somos nós em totalidade, mas, somos muitos pensando ou arquitetando o velho e decadente teatro romântico de bons selvagens.

O efeito de tacanha tradição é estanque. Mesmo com os progressos emergentes da redemocratização. O Itamaraty é tímido em suas posturas, ambíguo por indecisão, barganha de modo equivocado com as grandes potências e cá no subúrbio do mundo e da América é visto com desconfiança justificada. Enquanto os E.U.A. enviaram aviões aos seus cidadãos no ocaso egípcio, e árabes sempre cobram satisfações das sátiras ocidentais sobre o Islão, brasileiros e mais brasileiras são vitimados, assassinados, humilhados, tendo apenas a certeza da indiferença covarde da própria nação.

Diplomacia não é turismo, meus representantes. A nação deveria ser um local de empatia e identificação política. Enquanto jornalistas são mostrados, outros tantos anônimos permanecem na obscuridade trabalhando como escravos ou passando por constrangimentos.

Por misericórdio nossos compatriotas no Egito estão bem. Por misericórdio divina, naturalmente, ou pelo mais doce acaso. Sendo mortos, torturados e esquartejados, suas supostas almas e familiares não receberiam mais que notas de lamentação. Com uns trocadinhos para o ônibus.

DOM RAMÓN

Mais textos do autor em: http://ogolpedeestado.blogspot.com/