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Origem das Visitas

AROLDO FILHO

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quinta-feira, 10 de março de 2011

MEMORABILIA

MEMORABILIA

― E agora, poeta,

o que vai ser?
De tudo o que fomos?
de mim? de você?

Quando não devia
abri a guarda, não fiz rodeio,
e os teus senões foram de embalo,
colidindo ―em cheio―
com meu pequeno coração
tanto trincado.

Passei maus bocados,
confesso,
ainda agora isso me desespera.
Sobretudo porque possuo memória
e esta,
afiadissimamente severa,
trata de te resgatar todas as noites
da soleira pra aonde te enxotei.

Eu errei,
ao te gravar na lacerada retina,
que te reclama.
Ao dividir, meio sem roupa,
tantas camas
e então no porto seguinte
me despedir.

Ainda hoje não consigo dormir.

Pois vejo nítido, sob as pálpebras,
um facho de incêndio.

O Inquilino
das minhas gavetas
trancadas por dentro.

É você,
me atazanando o juízo.

Dionísio,
perdidamente lúcido
e ereto,
reproduzido piamente
pelo espelho do teto

e aos solavancos,

abreviando em cacos
minha ousadia

e tudo aquilo que virá,
ou viria.