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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Investigando a Bulimia a partir da Psicologia Comportamental



Autor: Thiago Rodrigues da Rocha.



Dentre a grande gama de transtornos alimentares, a Bulimia destaca-se como um dos que mais provocam sofrimento no indivíduo. É mais frequente em mulheres e caracteriza-se, basicamente, por Episódios de Compulsão Alimentar acompanhados de Vômito Auto-induzido, situação que provoca grande vergonha, o que leva a pessoa a esconder-se durante o Episódio de Compulsão Alimentar. Mas quais seriam as contingências ambientais que provocariam tal inadequação comportamental? Muitas hipóteses válidas podem ser levantadas. Tendo como base a análise funcional do comportamento, pode-se inferir a seguinte contingência desencadeadora:
Análise funcional da bulimia
Mídia e preconceitos sociais, cobranças da família: Apresenta estimulação discriminativa (apresenta a obesidade como condição aversiva e o corpo magro como “corpo ideal” sendo ele o reforçador secundário).
Alimento: Reforçador primário. (reforço geneticamente determinado: comida, água, sexo e afeto).
Corpo ideal: Reforçador secundário. (reforçador aprendido: dinheiro, status, estética, prestígio etc).
Obesidade: Condição aversiva (toda condição que ao ser evitada reforça o comportamento que a evitou).
Críticas sociais ao comer compulsivo/vergonha: condição aversiva (nesse caso, reforçando negativamente o comportamento de comer escondido).
Episódios de compulsão alimentar: Comportamento reforçado positivamente.
Vômito auto-induzido e outros mecanismos compensatórios: Comportamento de fuga (reforçado negativamente).
Preocupações com o corpo: Comportamento esquiva (reforçado negativamente).
            Para se realizar uma análise funcional do comportamento, é necessário que se investigue objetivamente a contingência da qual este comportamento é função. Isso se dá averiguando a condição antecedente, o comportamento emitido pelo sujeito, a consequência do comportamento no ambiente e a alteração da frequência deste comportamento em situações semelhantes no futuro.
            No caso da bulimia, inferi-se que dentro da categoria “condição antecedente” estejam vários condicionantes sociais, tais como a mídia, os preconceitos ao obesos e, com uma certa frequência, as cobranças dos pais. A mídia elege a magreza como o ideal de beleza, colocando a obesidade como a condição a ser evitada, os preconceitos aos obesos também contribuem para este comportamento esquiva. É importante expor que os comportamentos esquivas são geralmente acompanhados por reações psicofisiológicas como a Ansiedade.
            Ao colocar a beleza como sinônimo de magreza, a magreza se estabelece como reforçador secundário e a obesidade como condição aversiva, sendo assim, todo e qualquer comportamento que evite a obesidade terá sua frequência ampliada no repertório comportamental do sujeito, também serão mais frequentes os comportamentos que propiciam magreza.
            O alimento é um reforçador primário e obviamente estará reforçando o comportamento de comer, aqui surge um conflito: comportamento de comer versus comportamentos esquivas com relação à obesidade e comportamentos reforçados pelo ideal de beleza (magreza). Deste conflito resulta outro comportamento esquiva: o vômito auto-induzido, comportamento de fuga que evita a obesidade sem que o comportamento de comer deixe de ser reforçado. Desta forma tanto o comportamento reforçado positivamente (comer), quanto o comportamento esquiva (auto-indução de vômito) terão sua frequência ampliada no repertório comportamental do sujeito. Com o tempo tais comportamentos estarão tão fortes que já estarão representando um transtorno. Esta seria a equação da bulimia sob uma perspectiva puramente behaviorista.  
Como se dá o tratamento?
            Um dos métodos comportamentais mais utilizados é o ensino de técnicas de autocontrole e de relaxamento, para diminuir assim a ansiedade do paciente. Como tarefa para casa, o paciente deverá se expor gradativamente à situações que normalmente desencadeiam um Episódio de Compulsão Alimentar, e ao fazer isso deverá utilizar as técnicas de relaxamento e autocontrole para dessensibilizar a ansiedade que resulta na compulsão. Com o tempo o paciente conseguirá se expor a estímulos desencadeadores mais poderosos sem se sentir ansioso. O transtorno que antes foi aprendido, agora já entra em processo de extinção, em outras palavras o sujeito passa a “desaprender” o transtorno.
            Após ter-se verificado uma significativa recuperação comportamental do indivíduo, inicia-se a restauração cognitiva, onde paciente e terapeuta analisarão as hipóteses disfuncionais e crenças irracionais construídas pelo paciente a respeito de seu transtorno, visando a manutenção e o fortalecimento das mudanças comportamentais.