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domingo, 12 de maio de 2013

Boa domingueira poética




Mamma

Ao som de Bohemian Rhapsody
poderia ouvir um mundo de dor
mãe, é tamanho o teu amor
consolas, aqueces, em puro afago.

Tirando-me do coração amargo
depositando em um zen zelo, tua força.
Viajo entre narcisos amarelos
jardins de sorrisos e ardor.

Pegue-me novamente em teus braços
assim eu volto a ser tua criança
voltando essa grande aliança
reconstituindo todos os pedaços.

Em suma, o carinho que não finda
és, por ti, sempre bem-vindo.
Pousa delirante em meu peito
faz-me, quase sem jeito, tua vida.

André Anlub®

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Anjo sedento


Sedento cupido chegou
e nas costas carrega
mágicas flechas de ardor.

Arco de osso de brontossauro
corda de tripa de triceraptor
flechas feitas de costelas
de homens que semeavam amor.

São lançadas aos desígnios
voam ultrapassando cometas
seguem as luzes das estrelas
e aos corações as carícias.

Fartas águas brotam límpidas
em nascentes de rios.

Abriga, na paixão periga
amparo, advindo da alquimia
já para, alvejado o amor.

Saciado, o cupido se engasga nas gargalhadas.
Deleita-se na verdade da entrega alheia
em seguida lamenta, aos prantos, devora-se
grita, ajuíza e tonteia.

Inflama seu próximo armamento
derrama seu secreto tormento
de punho bem cerrado
o arco e a flecha tomados na mão
aponta para o próprio peito.

André Anlub®
(15/04/13)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Rodoviários e as consequências da dupla função


Texto: Joseclei Nunes (Blog) (Facebook) (Twitter)

Há menos de um mês, a cidade do Rio de Janeiro passou por um dia de tensão devido à greve dos rodoviários, mas tudo acabou sendo em vão.

É inegável comentar sobre a dupla função. De um lado os motoristas estressados e freqüentemente sem treinamento adequado. Do outro lado, uma legião de passageiros submetida a viagens desconfortáveis, muitas vezes perigosas, e horas de engarrafamento. Acrescente a isso a ineficiência da fiscalização no transporte público. O resultado dessa equação faz com que circular de ônibus no Rio seja um sofrimento diário que, não raramente, termina em tragédia, como aconteceu na terça-feira retrasada. Sete pessoas morreram e 11 ficaram feridas.

A reivindicação é mais que justa. Muitas cidades do Brasil já estão acabando com essa dupla função. Mas aqui no Rio é diferente, pois há um interesse público e privado.

Se não fosse o fim trágico desse acidente, seria apenas mais um nas estatísticas do governo. Foram registrados nos últimos quatro anos, uma média de dois acidentes com vítimas por semana envolvendo ônibus. Em 2011, houve o registro de 126 casos; em 2012 foram 84. No ano passado, a ouvidoria da Secretaria municipal de Transportes recebeu 28.294 reclamações sobre os ônibus. Entre as queixas mais freqüentes estão falta de humanidade por parte do motorista e comprometimento à integridade dos passageiros. Especialistas já apontaram o estresse dos motoristas como uma causa freqüente de acidentes. No caso do veículo da semana passada, o motorista também exercia a função de cobrador.

Mesmo sabendo dessas tragédias, o governo ainda mantém a dupla função. Em 2008, o projeto de lei nº50/2007 criada pelo deputado Paulo Ramos (PDT-RJ) pretendia acabar com a dupla função. O projeto foi aprovado, porém acabou indo para a gaveta do presidente da câmara que pertence ao PMDB.

O projeto de lei de junho de 2008: Pelo Regimento Interno da casa, este projeto deveria entrar na pauta para a segunda discussão 48h após a primeira aprovação, mas até hoje, quase quatro anos depois, não foi incluído na Ordem do Dia por Paulo Melo. Para Ramos, está claro que o lobby das empresas de ônibus, representadas Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), impede a aprovação:

"É a força que têm as empresas. Quem é que tem poder para fazer um projeto importante como esse não tramitar? Só pode ser a Fetranspor", acusa.

Com aval da prefeitura e do governo do estado do Rio de Janeiro, estas empresas, a fim de ampliarem seus lucros, criaram a dupla função. Além de dirigir, os motoristas são obrigados a receber dinheiro e dar o troco enquanto dirigem. Eles se desconcentram do trabalho principal, a direção, e acabam tendo problemas com passageiros por conta de eventuais erros na hora de repassar dinheiro.

Esse acúmulo de funções tem como resultado diversos acidentes, atrasos no embarque que conseqüentemente tornam o trânsito pior, viagens mais incômodas, longas, estressantes e arriscadas tanto para o motorista quanto para os passageiros. Afinal, se não podemos usar telefone celular enquanto dirigimos, não faz sentido que os motoristas de ônibus possam trocar dinheiro.

O interesse é grande para muitos e os problemas continuam, viram estatísticas e no final ninguém faz nada. A culpa sempre acaba caindo em cima dos mais fracos, como aconteceu no acidente da linha 328, onde mesmo sabendo que o veículo estava fazendo suas viagens de forma irregular, com multas, o motorista, e não na empresa, foi culpado. Sem contar que as empresas de ônibus só querem saber de aumentar as passagens e não fazem prevenção dos coletivos, além de aumentarem a carga horária dos trabalhadores rodoviários, que estressados repassam suas frustrações para nós, passageiros!

Diferente do Rio, muitas cidades já terminaram com a dupla função. O que nos resta é esperar que com esse fim trágico, nossos parlamentares pressionem o governo e a prefeitura para acabar com esse descaso, onde um motorista que já trabalha quase 18 horas diária acaba enfrentando essa dupla função. Isso só trás péssimas conseqüências a todos nós passageiros e aos rodoviários.  Agora aguardar os próximos capítulos e torcer pelo fim dessa função.

sábado, 30 de março de 2013

VENHA, MEU PEQUENO



Autor:
Título: Venha meu pequeno. 

A fúria indomável,
tomava conta daquela alma,
que vagava de forma inexplicável,
vivia a chorar, 
mas neste momento as lágrimas se tornaram sangue,
derramou-se o cálice, 
eles estavam mortos...

Todos os dias se perguntava por que, 
mas todas as noites vivia sem razão,
a esperança se renovou com a ultima lágrima no chão,
ela dizia para mim sobre as coisas,
e eu pensava sobre os princípios,
era diferente, 
era imortal, 
era amor mais do que material.

Venha comigo, 
eu gostaria de te mostrar de que são feitas as metas,
a mídia mais que perversa,
venha vou te mostrar,
por que as crianças não tem sonhos de verdade,
vou lhe guiar,
a verdade se mostrará hoje,
por que são raras pessoas loucas, 
a razão da doutrinação. 

Venha meu pequeno, 
deixe-me te mostrar o por que nossos sonhos são chulos,
nossas razões refutadas,
e nossas religiões profanadas, 
o dinheiro,
a moeda, 
o ouro que fez de todos os cidadãos pedaços de madeira,
nos pegaram em uma antiga brincadeira,
chamada dominação.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

A confissão [1]


A CONFISSÃO [1]
                                                                  
Seguira o ensinamento, matou sem sentir ódio. Por isso se sentia diferente das outras tantas que ocupavam aquela cela.

“Aquelas putas estavam presas pelas infâmias mais desprezíveis. Uma delas tinha deixado o filho de três anos na boca enquanto trepava com o chefão de lá...  Vê se pode! Quando a polícia invadiu o local não deu outra, vadia na cadeia e criança no abrigo. Outra sentiu tanta inveja quando descobriu na gaveta de cuecas o presente caríssimo que o marido comprou para amante que fez do safado pedacinhos, ‘a sala da casa parecia um matadouro de beira de esquina e o meu marido o mais idiota dos touros desossados’, confessava ela envaidecida ao narrar o fatídico.

Comigo não. Comigo foi diferente. Acordei naquela manhã de domingo decidida a por em prática o ensinamento, a imundície não está em matar, em ceifar a vida do outro, a imundície está em deixar-se dominar pelo ódio. Eu amava o filho da mãe e de tanto amor decidi: o último suspiro seria de alívio, de excitação. Passei a manhã inteira entretida na premeditação de cada segundo, nas possibilidades de descoberta, nos limites das dores, no sorriso que ele daria ou na lágrima que eu veria escorrer. Pensei não só nos detalhes instrumentais, na arma do crime, no modo de usá-la ou mesmo no local mais adequado para guardá-la nos momentos antes da execução, pensei, sobretudo, no lado emocional daquele instante que se aproximava mais e mais.

À noite, quando o recebi em minha casa já estava com cada passo (dele e meu) traçado. Já havia escolhido a música, já havia posto a mesa do jantar. Tudo transcorreu como pensei, conversa agradável e muita paquera nos nossos olhares. Pela madrugada, depois que deitamos juntos sobre os lençóis de seda de minha cama, entre suor e saliva, entre êxtase e alívio, chegara o momento. O meu abraço apertado controlava o tremor do corpo dele, enquanto eu pegava de um jeito discreto a arma guardada propositalmente dentro do travesseiro. O orgasmo dele foi aliviado com um estampido abafado. Debruçou-se para trás. Morreu feliz.

A nossa aliança estava feita, apenas por formalidade coloquei um anel no dedo anelar dele e outro no meu. Acendi um cigarro, depois outro, depois outro, e fiquei ali sentada no chão do quarto esperando a lua despedir-se do céu enquanto eu, na companhia suave e silenciosa do meu homem, pude sentir o pensamento vazio e uma paz imensurável.  Disseram que eu enlouqueci, me divirto com essa concepção sobre a minha lucidez. Não havia ódio, sequer raiva, havia amor, sublime e pleno amor. Recuso-me todas as manhãs de narrar as sequências de fatos e os motivos do meu ato. Aquelas putas  não iriam entender.”



[1] Transcrição nº** do áudio de uma entrevista concedida pela maritricida ***, no ano de 20**,  em tratamento no manicômio judiciário  ***.

(Yvanna Oliveira)

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Minha análise das escolas do especial Rio de Janeiro


Texto: Joseclei Nunes (Blog) (Facebook) (Twitter)

Bem amigos sambistas, mais um carnaval vêm chegando e enfim podemos dar nossos “pitacos” e opinar sobre qual o melhor samba, melhor enredo, quem será a escola campeã, quem voltará a desfilar no sábado e quem será rebaixada.

A cada ano o carnaval se torna mais competitivo, porém, tudo acaba sendo definido no domingo e segunda de carnaval. Mesmo assim muitos comentam sobre como vai ser o próximo carnaval e no que as escolas poderão surpreender.

Na questão dos enredos, mais uma vez algumas escolas criaram polêmicas. É o exemplo do enredo da Mocidade, Salgueiro e Beija-Flor. Essas três escolas virão com enredos patrocinados e por isso foram criticadas. Outro enredo patrocinado é o da Vila Isabel, mas foi elogiado desde o momento da sinopse ao Samba Enredo. Uma outra escola que vem com enredo duvidoso é a São Clemente que falará sobre o horário nobre. Apesar de ser um tema interessante, pode não ser tão positivo para os jurados.

Há enredos que não são esquecidos, como os que falam sobre cidades, estados, países e homenagens a personalidades. Alguns exemplos são a Inocentes que falará da Coréia, a Imperatriz sobre o Pará, a Mangueira cantará sobre Cuiabá, a Ilha com Vinícius de Moraes e a Portela que contará sobre Madureira e a sua própria história.

Enfim, vou definir segunda a minha opinião sobre o que acho de cada escola para 2013.

Domingo

Inocentes de Belford Roxo: A escola é a estreante da vez no grupo especial. Foi campeã do grupo de acesso de 2012 com dúvidas, mas agora o que podemos esperar da escola? A escola investiu bem. Trouxe Wantuir, Lucinha e Rogerinho e pode incomodar em alguns quesitos, mas creio que a escola voltará ao acesso. Se não voltar, briga. O enredo sobre a Coréia é bom, contudo, o samba deixou a desejar. A Inocentes ainda tem muito a aprender.

Salgueiro: Fama de enredo? Parece ser arriscado. O Salgueiro me surpreendeu na sinopse e no samba. Ela virá como favorita se o Renato Lage não viajar nas alegorias, porém acredito que a escola possa se perder em algumas partes do desfile. O enredo é bom, mas vai depender de como a escola irá apresentá-lo. Acho que a escola continua na briga pelo título.

Unidos da Tijuca: É a atual campeã e virá para brigar pelo bi. Mais uma vez a Tijuca não virá com o enredo inventado pelo Paulo Barros e será uma homenagem ao ano da Alemanha no Brasil. A escola vem se fortalecendo como a maior potência do atual carnaval, mas vai depender qual serão as surpresas que Paulo Barros irá inventar no desfile, pois às vezes peca em alegorias e isso pode ser um ponto fraco para escola. Sobre o samba posso dizer que é um samba normal, mas pode cair bem na Sapucaí porque é fácil e a comunidade poderá abraçá-lo. Favorita ao título.

União da Ilha: Ilha e Vinicius de Moraes é um casamento que pode dar certo. Apesar de ser um enredo que já foi apresentado outras vezes, porém de formas diferentes. A Ilha virá homenagear o nosso poetinha em seu centenário. Apesar de ter gostado do enredo e da sinopse, não gostei muito do samba, porém acredito que o Ito Melodia fará esse samba funcionar na Sapucaí. A Ilha a cada ano vem mostrando que logo irá brigar pelo título. Não levou em 2011 por causa do incêndio em seu barracão, mas acho que esse ano também não brigará pelo sonhado caneco. A escola brigará para ficar entre as campeãs, pois o Alex a cada ano vem fazendo um bom trabalho na escola.

Mocidade: Uma coisa que nunca imaginaria é que rock daria em samba, ainda mais em enredo. A Mocidade ousou em falar sobre o Rock in Rio. Desde que apresentou o enredo em 2011 a escola vem recebendo uma chuva de críticas sobre o tema. A escola vai arriscar. O enredo não é bom, o samba é mais ou menos e a escola deve perder alguns pontos nos quesitos Enredo e Samba Enredo. Vale ressaltar o bom trabalho do Alexandre Louzada e da bateria que esta voltando a ser nota dez, mas de fato, brigará pra ficar na zona intermediária.

Portela: Portela e Madureira, um casamento que podia dar certo se não fosse a crise pela qual a escola vem passando. Um enredo em homenagem ao bairro e à própria escola e um belo samba estão sendo manchados pela gestão da atual diretoria. Há um mês do carnaval nenhuma alegoria está pronta. A escola vive em uma tensão antes do carnaval e uma parte da torcida acredita que a escola irá para o Grupo de Acesso em 2014. Apesar de muitos não acreditarem, a Portela tem tradição, tem a força da sua comunidade e acredito que a escola não irá descer, porém brigará pra ficar na parte baixa da classificação.

Segunda-Feira

São Clemente: Horário Nobre é um enredo, mas... A escola de Botafogo é outra que a cada ano vem se consolidando no grupo especial, porém esse ano não foi muito feliz no enredo. Fico imaginando a Viúva Porcina dançando com as mulatas ou o Roque Santeiro sambando. Acho que o enredo é tendencioso, pois citou as novelas de uma única emissora, deixando fora novelas como Pantanal e Xica da Silva. O estilo irreverente da escola pode surpreender muita gente, pois é a força da escola. Acho que pode brigar para não descer ou no máximo ficar na zona intermediária.

Mangueira: A Mangueira passa por uma situação semelhante a da Portela. A escola há anos vem mostrando carnavais medianos, apresentando brigas internas dentro da agremiação e como sempre, quase tudo está atrasado próximo ao carnaval. O enredo é bom, o samba está aquém do esperado, porém Mangueira é Mangueira. Agora vamos ver como Cuiabá será apresentado pela escola e vamos ver qual será a próxima surpresa da bateria, pois pra mim, briga pra ficar na zona intermediaria.

Beija-Flor: Pois é, parece que a beija flor está perdendo sua hegemonia no carnaval carioca. A escola vem com enredo homenageando o cavalo Manga largo. Confesso que não gostei do enredo, mas curti muito o samba, pois o Neguinho consegue transformar qualquer samba ruim em um samba bom. Acho que a escola não virá para brigar pelo título, como muitos falam, mas ficará na parte de cima da classificação.

Grande Rio: Falar sobre a briga dos royalties dá samba? Para a Grande Rio parece que sim. O enredo tendencioso em favor do Rio de Janeiro pode ajudar a escola de Caxias a conquistar o primeiro carnaval? Acho que não. A escola não teve o apoio da imprensa de carnaval com esse enredo e em algumas das votações foi escolhido como o pior samba. Mas a Grande Rio tem a força da comunidade e acredito que a escola briga para voltar nas campeãs.

Imperatriz: Pará é o enredo e com ele a Imperatriz tenta voltar a fazer belos carnavais como no passado. Trouxe Cahe Rodrigues, Wander Pires para voltar a conquistar o carnaval. O samba está num caso de amor com alguns dos especialistas: Ou você ama o samba ou odeia. Não acho que a escola volte sábado, mas acho que Cahe Rodrigues irá fazer um belo carnaval e creio que a escola em breve voltará a brigar pelo topo, mas não em 2013.

Vila Isabel: Imagina um samba composto por André Diniz, Martinho da Vila e Arlindo Cruz? É o samba da Vila Isabel de 2013. A escola há anos vem batendo na trave para conquistar a taça, porém acredita que o casamento com a Rosa Magalhães com esse samba possa ser concretizada nesse carnaval. Mas a Vila é a escola que consegue perder pra ela mesma em pequenos pontos. Vamos ver se agora vai, pois apresenta um dos melhores enredos e sambas. Veremos fará um desfile de campeã que deixou a desejar nos anos anteriores, pois a escola é forte para brigar.

O carnaval vem chegando e está na hora de cada um fazer suas apostas. Espero que seja mais um ano de belo espetáculo, que nossos jurados possam analisar bem cada escola e que na quarta-feira de cinzas a disputa se dê ponto a ponto, pois é carnaval é isso. Amor a sua comunidade e uma festa de um povo. Que vença o melhor, que vença a sua escola.