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sábado, 4 de junho de 2011

SOCIEDADE DE PLÁSTICO


SOCIEDADE DE PLÁSTICO

Nas últimas semanas do mês de abril, a indústria fonográfica do forró, dito, eletrônico se sentiu ofendida pela declaração do então secretário de cultura da Paraíba, o cantor e compositor, Chico César

Chico César, teria dito que a secretaria de cultura da Paraíba não iria destinar recurso a essa modalidade de forró, por atribuir a mesma, o título de plástico, além de, ter refletido sobre o sufocamento sofrido pelo forró tradicional proporcionado pelo monopólio fascista dos anti-democráticos da indústria dos “jabás”. 



A declaração de Chico César, externa apenas a ponta do “ iceberg”. Se o forró eletrônico, de músicas pornográficas e de incentivo ao alcoolismo irresponsável, é considerado plástico, logo, descartável, imagine outros temas da sociedade. 

Quando olhamos para a moda, temos o velho tornando-se novo e o velho virou o sinônimo de moderno.

O que falar dos ditos valores morais, que de morais não tem quase nada, preservam uma aparência que quando desvelados, externam um amoralismo que escandalizaria até, o maior mal caráter.

O pior de se ter uma sociedade de plástico é que embora tudo seja descartável, a sua descartabilidade provoca impactos incalculáveis à humanidade.

O plástico embora leve um pouco mais de quatro mil anos para se decompor, o seu impacto ao mundo é irreparável. Essa descartabilidade da sociedade de plástico provoca um efeito um tanto quanto curioso. 

Se todos os conceitos, valores, normais e comportamentos são criados e extintos a todo estante, todo e qualquer comportamento que priorize a durabilidade, a permanência e as continuidades é menosprezado e reprimido. 

Por exemplo, Chico César por ter uma posição clara e fundamentada sobre o assunto, foi taxado de preconceituoso e ditador, mas se o mesmo tivesse tido um posicionamento sem fundamento e justificável teria uma maior aceitação.

Mas se analisarmos as justificativas de Bruna Surfistinha sobre a sua biografia de plásticos, onde a mesma declara que a sua entrada na prostituição tem um caráter de crítica à sociedade, pelo contrário, temos a visível e notória falta de heróis da sociedade brasileira, bem como, a sua necessidade de criar ícones plastificados que nada contribuem e só são notados, pela polêmica momentânea que causam.
Mas, como atendem ao dilema da descartabilidade e das justificativas infundadas, viram filme e entram na lista de “best-seller” dos mais lidos da Revista Veja.

Embora o quadro não seja positivo, quanto a todas as essas fragmentações, resta a todos nós, a busca de valores que se renovem e sejam reaproveitados pelas novas gerações. O espanto diante da normalidade deste conceito “ o novo sufoca o novo” da sociedade de plástico exige, antes de mais nada, sair da zona de conforto que inevitavelmente, resulta em enxergar o óbvio e buscar todos os norteamentos da vida a partir da ética. 

KILDERY AMORIM MACIEL

domingo, 23 de janeiro de 2011

POR QUE DORMIMOS NAS IGREJAS E SOMOS INDUZIDOS A PREFERIR FALAR DE SEXO?

POR QUE DORMIMOS NAS IGREJAS E SOMOS INDUZIDOS A PREFERIR FALAR DE SEXO?

Somos todos convidados a dormir nas igrejas pelos simples fatos que por lá, se diz muito, se explica pouco e os dogmas transformam, sem muitas dificuldades, as mensagens bíblicas, atemporais, em discursos rotineiros e enfadonhos que condenam e nos fazem assumir culpas que não temos.

Se estendermos as discussões para outros patamares, temos a mercantilização das interpretações daquilo que se chama de palavra de Deus, a espetacularização das homílias que desfocam e fortalecem o marketing de hoje, pequena empresa, no futuro, grande negócio. Se não bastasse tudo, a síndrome da prosperidade pentecostal salvacionista, ou seja, siga as dicas ditatoriais, disfarçadas de livre arbítrio, doe de coração e prospere.

A preferência quase que unânime das pessoas por sexo ou coisas ditas mundanas do que pelos bordões do tipo, a Bíblia disse, que as Igrejas impõem, está intimamente associada à maneira jesuítica punitiva que aprendemos a lidar com o corpo. É mais do que sabido, que as pulsões sexuais são da nossa natureza animal e como animais “racionais” que somos, deveríamos conviver naturalmente com elas. Porém, este impasse de naturalidade e culpa, nos faz mal resolvidos, logo as preferências esbarram no proibido é mais gostoso. A hipocrisia moral da proibição tem como válvula de escape a promiscuidade, a pornografia indireta e direta e os discursos moralistas.

Em meio tudo, nos resta uma reflexão, se dormimos ou não nas igrejas e somos induzidos ou não a preferir falar de sexo, o que realmente importa é a coerência entre discurso e prática muito bem cantada poeticamente por Fernando Anitelli, Teatro Mágico: “Errado é aquele que fala correto e não vive o que diz- Zazulejo”.


Kildery Amorim Maciel
22/01/2010

Mais textos do autor em: http://kilderymaciel.blogspot.com/

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A terra que Tudo pode e nada é proibido



Em algum lugar ou lugar algum existe a terra do Tudo pode e nada é proibido. Lá, aos que chegam lhe é assegurado o desfrute de ser como se quer e como se pode, e aos que já estão a dura sina de continuar a ser ou simplesmente fingir ser o que não é. Nessa terra, vive o Bobo bondoso, o Franco, o Cala e consente, porém, dois habitantes tem destaque, os irmãos siameses: Mau Caráter e Inconsequente. O Mau Caráter e o Inconsequente revezam os dias em ludibriar o Bobo bondoso, dono de uma risada larga e sorriso bajulador; irritar o Franco em sua astuta hipocrisia e síndrome de coitadinho; além de ter de Cala e consente a cumplicidade inconsciente para as inconsequências e contradições.

No alvorecer dos jardins de Tudo Pode e nada é proibido, Mau caráter e Inconsequente desfilam com descontração, simpatia e bajulações. Bobo Bondoso, por um curto período da vida, esteve imune às suas investidas, porém Cala e Consente esteve por mais tempo vulnerável e cego ao óbvio. Franco, escaldado de outras experiências e de outros lugares, nunca se deixou levar, porém se permitiu conviver para depois concluir o que era inevitável.

Na terra do Tudo Pode e nada é proibido, esporadicamente, encontrávamos Narciso de Saias, Olímpico NBA e o Huno. Narciso de Saia, por ser vaidoso, gostava de ocupar o centro das atenções, além de que, entre outras coisas, adorava explorar a boa vontade de Olímpico NBA. Olímpico NBA por medo de perder o afeto de Narciso de Saia submete sua vida aos seus abusos. Huno de tão bom foi ruim para consigo. Embriagado pelas astúcias dos irmãos siameses, frustrou suas expectativas para o futuro, além do inevitável, sofreu. Trocado por um instante volúvel compadeceu e preservou o que nunca existiu, a amizade.

Meio a tudo, Franco que, de tão sincero, inconveniências e maus entendimentos provocou, por anos colheu subsídios e provas, porém nunca foi compreendido e justiçado. Como os outros se embriagou, mas, diferentemente, não deixou a aparência e o falso prazer de ouvir o que se quer lhe ludibriar.
No transcorrer de um tempo atemporal e passivo às efemeridades e anacronismos, surge um novo personagem, o Estrangeiro Daqui. Estrangeiro Daqui, com a sua prudência e coerência, encantou o Bobo Bondoso que de muitas cavernas saiu e do óbvio extraiu ensinamentos. Franco, embora desgastado e desacreditado, encontrou em Estrangeiro Daqui um companheiro de angústias e convicções. Cala e Consente, diante das novas e sempre velhas observações de Franco e das intervenções inteligentes do Estrangeiro Daqui, despertou do sono e se emancipou das astúcias dos irmãos siameses, Mau Caráter e Inconsequente.

Embora desmascarados e excluídos, os irmãos siameses buscam em outros reinos desfilar as suas inconsequências e má fé para com os outros. Perdidos e sem vítimas em Tudo pode e nada é proibido, Mau caráter e Inconsequente desfilam pelo alvorecer dos jardins isolados e restritos a comprimentos mecânicos. Cobertos pelo manto da hipocrisia, escondem a sua personalidade má e suas futuras investidas em prejuízo dos outros.

Com tudo, a vida em Tudo pode e nada é proibido continua, os seus personagens vão e vem interagindo e se isolando, porém desfrutando de experiências que proporcionarão, no futuro, uma maior perspicácia e sabedoria quanto ao certo a se fazer.

Kildery Amorim Maciel
(Professor de História e Poeta)
Veja também o blog: http://kilderymaciel.blogspot.com/
KILDEY AMORIM MACIEL