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sábado, 23 de novembro de 2019

VIVER OU NÃO VIVER? A DESUMANIZAÇÃO FEITA PELO CAPITAL

VIVER OU NÃO VIVER? A DESUMANIZAÇÃO FEITA PELO CAPITAL

Passar pela vida sem tê-la percebido? Eis aí a rotina de milhões de trabalhadores. O proletariado que, estando preso ao Sistema e fazendo parte de todas essas engrenagens, não vive, apenas sobrevive; não existe, subsiste; precisa garantir os recursos básicos para sobrevivência e para eles não é ofertado "o privilégio "da arte, do teatro, cinema, do museu, viagens; não lhes é ofertado o direito ao pensar e questionar.

Existem escolas ou modelos escolares de acordo com às classes sociais, são adaptadas à elas. Por exemplo: a escola do filho do proletário, nada mais é que uma antessala para o chão de fábrica: com suas sirenes, sua padronização, a castração das peculiaridades e criatividades, sua forma de avaliar e ensinar, seus uniformes, enfim. ..

Formam trabalhadores muito bem capacitados à operar máquinas e apertar botões mas, incapazes de fazer uma introspecção, uma reflexão, e questionar o mundo ao seu redor - deles foi extraído o senso crítico, não formam pensadores, mas sim operários.

outros tantos milhões rastejam pela terra com fome; estes, apenas, como animais, só se lembram ou têm em si os instintos primitivos de sobrevivência: o medo, a sede, a fome, o frio, a procura por abrigo e o instinto de preservação e procriação da espécie.

Olhando para o mundo como um todo, em tempos de globalização, em tempos de ONU e direitos humanos, ainda estamos muito, mas muito, distantes de sermos vistos como civilização. Existe a ideia de civilização quando olhamos para países como a França ou países nórdicos e sob outra ótica, a civilização do Capital engendrado ou tendo sua manutenção feita graças às guerras, à rapina, aos saques, às infiltrações feitas por potências em países de terceiro mundo em ascensão com objetivos de desestabilizar a política, economia e a democracia impedindo assim seu progresso e possibilitando a usurpação do poder e de seus recursos naturais. Isso não é ser civilizado, isto é barbárie pura como nos tempos dos Vikings ou piratas.

Será que para termos um pequeno vislumbre de civilização, tenhamos que recorrer à ficção de filmes da Marvel e tomarmos como exemplo de modelo de gestão o país africano fictício de Wakanda, reino do Pantera Negra?

Jorge Azevedo
23/05/2018

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

O DESASTRE POR TRÁS DO DESASTRE: INDIFERENÇA E APATIA SOCIAL

O DESASTRE POR TRÁS DO DESASTRE: INDIFERENÇA E APATIA SOCIAL
(A charge é também de Jorge Azevedo)

O desastre por trás do desastre: as várias questões que se levantam após tragédia em SP revela o pano de fundo de indiferença e apatia social diante de pautas que visam discutir inclusão e justiça social

Edifício desaba em SP e segundo imprensa e o governo, a vítima é o prédio porque sem teto não é gente, são indigentes; são ninguém. Prefeito Bruno Covas fará vistorias para avaliar saúde de outros prédios e João Dória minimiza afirmando que ocupações foram feitas por facções criminosas, e, mesmo se fosse verdade, ainda são seres humanos e merecem o mínimo de dignidade ao menos no trato quando se fala de um desastre dessa proporção. 

Isto só deixa explícito o total descaso de parte das autoridades com aqueles que vivem à margem da sociedade: não são gente, não são ninguém; quando os bens públicos e propriedades privadas são considerados mais importantes que vidas, pode-se decretar a falência de uma sociedade. Aquele deveria existir em função deste e não o contrário. 

Não obstante, a Rede Globo já tinha pronta na ponta da agulha uma reportagem especial com filmagens realizadas dias antes do incidente do interior do edifício e exaltando a importância da obra edificada na década de 60, frisando os detalhes arquitetônicos em vidro e metais especias deste que passou de propriedade privada para posse da União, confiscado por dívidas e onde inclusive operou a Polícia Federal utilizando como sede

Tudo isso, as filmagens antecipadas, a atenção exacerbada voltada em especial para à obra em detrimento das vítimas é no mínimo muito estranho, muito estranho mesmo. 

Jorge Azevedo
02/05/2018

CRIMINALIZAÇÃO DO POBRE NO BRASIL

CRIMINALIZAÇÃO DO POBRE NO BRASIL 
(Charge original do jornal "The Guardian")

A sociedade faz bom uso de seus mecanismos para criminalizar e cada vez mais marginalizar essas camadas da população vitimadas pela própria sociedade hipócrita e pelo modus operandi regente capitalista. Quais são essas máquinas de repressão e opressão: só pra citar algumas no campo da grande mídia: "Cidade Alerta Manhã", "Balanço Geral" - estes presentes em todas as regiões do país com seus respectivos programas locais, "Cidade Alerta Tarde", Datena, Ratinho, etc. .. sempre colocando no palco como o câncer da sociedade justamente as vítimas desse sistema desigual e opressor - os culpados são os que vivem às margens, os sintomas e consequências e não a raiz.

Os ilícitos partem de cima para baixo em um efeito cascata, ilícitos e crimes contra a humanidade; desde os três poderes, as principais instituições, corporações, os bairros nobres sonegadores de impostos e financiadores do tráfico; mas o boi de piranha é sempre o povo, os periféricos, as minorias que representam as diversidades, os nativos; são sacrificados e convencidos de que são o mal e devem policiar-se em benefício e deleite de uma burguesia, de umas 200 famílias desde o Brasil Imperial, estas são as oligarquias que comandam os meios de comunicação, a opinião pública, o judiciário, legislativo e executivo. Porque não querem progresso, querem somente ordem e manutenção do status quo para que tudo fique como está.

O Brasil ainda é uma colônia de exploração e não de desenvolvimento, eles são os parasitas e a parábola de Cristo para nada serve além disto: o pobre coitado excluído - representante destes (excluídos), que é sacrificado para redimir o pecado Deles e justifica-los: eles, os burgueses e oligárquicos, a nobreza, e por isto declaram-se cristãos fundamentalistas e conservadores, porque têm o seu miserável mor de estimação - Jesus - que deu sua vida - boi de piranha - para justificar as aberrações Deles e ilustro em minha defesa a fala de Madre Teresa de Calcutá - deve ser esta a pronúncia- esta senhora tratava seus enfermos apenas com analgésicos e desviava verbas para o banco do Vaticano; dizia ela: " É muito bonito o sofrimento do pobre porque assim eles redimem os pecados do mundo, são imitadores de Cristo e por isso acho muito bonito que sofram pelo mundo".

Eis aí a síntese perfeita da sociedade ocidental, sob aval do Vaticano ou cristianismo: somos bois de piranha, bodes expiatórios daqueles que deleitam-se sob essa justificativa e criminalizam as massas oprimidas e excluídas convencendo até a própria massa de que o mal reside entre a massa, fazendo com que se policiem e desenvolvam um sentimento fascista e opressor contra seus iguais.

03/05/2018

ESQUIZOFRENIA SOCIAL

ESQUIZOFRENIA SOCIAL

Você que se diz "patriota" e idolatra Bolsonaro, pressupõe-se e subentende-se que você bate continência para os EUA, que você é contra demarcação de terras dos povos nativos, defende genocídio indígena, é racista - os negros comportam mais de 50% da população brasileira e são eles que põem comida em sua mesa, fazem parte de nossa história e são tão legitimamente gente nossa quanto os índios e, talvez como você, - ainda seguindo meu raciocínio: conclui-se que você é misógino, conclui-se que você usa camisa com estampa I  USA, <3 font="" imagino="" nbsp="" new="" que="" york="">você gasta seu dinheiro em Miami estimulando outra economia que não seja a do seu país - espero que você goze dessa posição, porque se com essa mentalidade você for pobre, de fato está ferrado - apoia a entrega de nossos recursos naturais às multinacionais, concorda com uma guerra civil em que se execute ao menos 30 mil incluindo civis inocentes, afirma que o único erro da ditadura foi "torturar e não matar", enfim. . .

Discute-se a possibilidade de um estudo para entender quem em estado pleno de consciência ou gozando de plenas faculdades mentais ou sanidade e sendo brasileiro compartilha ou faz coro à tal posicionamento político. Porque se você pensa assim, volte doze casas atrás e se debruce sobre livros de Históriaporque meu querido, você passa longe de ser patriota, você é um antinacionalista - se é que entende o significado de nacionalismo ou protecionismo - que assistiu muitos filmes de guerra e imprimiu em seu inconsciente a ideia de ódio à povos latinos, negros, judeus talvez ou imigrantes ou refugiados.

Você sofre de saudosismo de uma ideologia que você não fez parte e sequer estava vivo para tomar parte dela e sequer nasceu em determinado tempo e nação - subentende-se, de novo, que você tem ódio de ser brasileiro assim como os homossexuais que não aceitam sua condição e tornam-se homofóbicos atacando àqueles que têm a mesma sexualidade, porque ao olhar para eles enxergam seu reflexo.

Portanto, concluindo e resumindo, você sofre de uma patologia tal qual de seu candidato: é saudoso de um tempo que você não viveu, é patriota sim, mas um patriotismo esquizofrênico: você pensa que é um alemão da década de 40 ou um italiano na época de Mussolini, tem delírios porque internalizou situações que você viu em filmes ou em falas de Olavo de Carvalho, tem tara por fardamento militar e armas e deveras isto tem sim um fundo psicológico sexual - Freud explica muito bem. Por isso aconselho à você amigo "patriota antinacionalista e bolsonarista" a procurar um bom psiquiatra e psicólogo poque acredito eu que seu caso tem cura, com todo o respeito e ainda há tempo enquanto se é jovem. A vida não é um filme de ratátátá.
Jorge Azevedo
04/05/2018

O HOMEM PECULIAR

O HOMEM PECULIAR

Com o advento da tecnologia, a pós-modernidade ou modernidade líquida trouxe a possibilidade do homem comum tornar-se célebre. Mas, somente o homem peculiar ainda se apresenta como parte de indivíduos singulares capazes de mudar a História. Eles são únicos e estão presentes em todas as épocas.

Em tempos conturbados onde castas antes reservadas, como juízes e membros da Suprema Corte, dividem os holofotes com o homem médio e iletrado ou inculto; só o louco, desajustado e peculiar ainda apresenta-se como a figura capaz de revolucionar seu tempo.

Eles não são notórios, não se encaixam, são geralmente considerados fracassados em vida e gênios póstumos. A sua vida não lhe importa e tampouco a fama, mas sim sua obra e pensamento.

Sua loucura perturba a sociedade e a deixa admirada quando sucumbi o homem e surge a ideia. A loucura em si pode trazer mudanças, as particularidades únicas de um " Zé ninguém" podem ser suficientemente fortes para tornarem-se notórias por si só e provocarem mudanças profundas em um mundo carente de autenticidade e rico de celebridades.

GOLPE SOBRE GOLPE SÓ AUMENTARIA O CAOS

GOLPE SOBRE GOLPE SÓ AUMENTARIA O CAOS

Isso tudo que está acontecendo tende a levar a população ao desespero, em desespero não conseguimos pensar e só agimos por instintos.

É importante que se pare e pense, se faz necessário uma consciência maior. Isso tudo indica que este governo ilegítimo mostrou-se insustentável e colocou em prática políticas obsoletas e foi irresponsável em sua gestão; mesmo próximo de uma eleição faz-se necessário tombar este governo.

Outro adendo, os militares podem utilizar esse estado de caos para justificar uma intervenção militar e novo golpe militar e impedir as eleições. Estejamos atentos, não se deve deixar-se levar pelo desespero, mas utilizar este estado de coisas para pensar possibilidades de protesto consciente ou boicote, ou apenas deixar com que isto tudo faça com que essa agenda neoliberal e entreguista que deseja legitimar-se com as eleições, caia por si só.

Aproveitemos para deixar claro a todos que não é esse modelo de governo que desejamos, que não nos representa e todo esse caos é reflexo das políticas de Temer que o candidato do PSDB/DEM/MDB e outros querem dar prosseguimento caso consigam eleger seus candidatos por meio de alianças sórdidas.

Mostremos a eles que este modelo não nos representa e não vamos admitir que isso tudo se perpetue.

Jorge Azevedo
24/05/2018

O QUE É O AMOR, AFINAL?

O QUE É O AMOR, AFINAL?

Dizem que só se ama uma vez. Não concordo com isso e acho que o ato de amar tem de se repetir mesmo que em intensidades diferentes e mesmo incessantemente em suas variadas formas de classificações para assim consolidar o Amor como essência e experiência; Seja o amor apaixonado, o amor racional, Eros, ágape e outras formas de se conceber o amor que neste momento, falha a memória e o coração.

O amor não rejeita. Amo continuamente todos que se foram, os que permanecem, os que voltam e os que seguiram; porque amor é a alegria pelo devir e a satisfação, é a arte de deixar ir.

Talvez por truques desconhecidos do destino ou acaso que nos fazem cruzar caminhos e tornam marcantes momentos únicos, tais momentos são eternos e infindáveis, merecem reflexão, respeito, ser repensados. Porque algo genuíno quando acontece permanece eternamente e retornando em um ciclo, porque foi fato, é porque nós deveríamos dar mais importância a estes fatos por vezes menosprezados, porque se assim não for tornamo-nos egoístas vazios e quando entendemos a filosofia disso tudo compreendemos de fato o amor; ser feliz pela existência alheia mesmo que essa não corresponda as necessidades de nosso ego.

Seria o amor pelo que há de subjetivo, indescritível e abstrato em cada ser pensante, o que lhe torna único e deveria tornar -lhe livre. Talvez a solução para todos os males que nos advém. Porém, nossa batalha é interna, o ego e o Narciso disputam a entrega sem medidas aos outros e a aceitação de tudo como é porque é.

O dia que nos libertarmos, certamente os vínculos afetivos e até empáticos terão um salto consideravelmente notáveis em relação ao puro interesse egoísta.

Concluo dizendo que amo a todos que passaram por minha vida, claro que em intensidades diferentes; mas o mais notável foram os aprendizados, os momentos de confidências, o afeto. Que deixam claro o quanto somos semelhantes como humanos em nossos sonhos, desejos, carências, vontade de pertencimento, busca por segurança e realização. E o mais forte de tudo, aprender que não há amor maior quando se deixa ir.

Jorge Azevedo in 2016

O QUE É CRUSH?

O QUE É CRUSH?

A cada dia me sinto mais velho, especialmente por conta das novidades, novas tendências, tribos, inovações, e claro, a evolução da linguagem. seja ela formal ou vulgar - gírias.

Soube há poucos dias de um novo termo que vem sendo utilizado por esta "geração Y" ou adolescentes pós-modernos. Uma gíria: Crush - o que traduzindo ao pé da letra na língua inglesa ficaria como [esmagar/esmagamento/colisão]; foi inserida no linguajar desse - como diria o sociólogo polonês Zygmunt Bauman -"Mundo Líquido" ou de "relações líquidas"; pode-se entender a definição como um mundo de inconstâncias, onde tudo flui e nada é certo.

A gíria "Crush" vem sendo utilizada para descrever uma situação onde se há uma "quedinha" por alguém ou para se definir uma paquera. Porém, pesquisando o mundo adolescente você consegue perceber que é algo mais profundo do que esta simplista descrição sugere e completamente novo, e que não seria de se estranhar, afinal estamos vivenciando um tempo liquidificável; onde tudo se desfaz no ar e as "coisas" são disformes, superficiais.

Crush define a paixão surgida por uma ideia, [perceba, uma paixonite por uma ideia e não pelo ser de fato] - que se faz de alguém (projeção/idealização), algo totalmente subjetivo e fora do mundo "palpável por constatação". Pode surgir por afinidades como exemplo: o estilo como a pessoa se veste, o que ouve, com quem anda, como se movimenta; mas tudo à partir de um ponto de vista unicamente criado à partir de uma abstração individual que pode-se desfazer-se simplesmente como veio à surgir: com a aproximação de fato e constatação da essência do ser antes idealizado.

Isto vem a constatar que estamos bem distantes do que defendeu o filósofo alemão do séc.XIX, Niezstche quando discorreu sobre o Amor-Fati: Um amor por alguém, por um ser, pelo que de fato este o é; sem idealizações ou projeções, mas a total aceitação da crueza do ser como ele é, com suas virtudes e defeitos. Amar as pessoas pelo que são, mesmo com seus erros ou falhas; visto que isto tudo constitui a essência de tal ser.

Nietzsche escreveu mais sobre o Amor-Fati pelo mundo; amar o mundo, aceitá-lo e vivê-lo tal como ele é: com todos os seus sabores, dores, com toda a sua crueza, sua tragédia, sua magnitude e entender que as coisas são o que são; distante do mundo das ideias de Platão ou o pós-mundo cristão. Friederich Nietzsche, defendeu em sua filosofia o desafio de vivermos a vida tal como ela é: única, findável porém majestosa, tortuosa mas repleta de beleza e aprendizados.

2016

Obs: A definição está clara, isto é óbvio, mas o que fiz foi uma análise sob uma ótica particular minha e subjetiva da evolução e transformação que a linguagem sofreu e sofre no decorrer das gerações e como é inserida dentro de cada tribo. 

O idioma/língua/dialeto ou no caso gírias são mais que meros artifícios ou códigos de comunicação; o que se faz possível o canal entre locutor-interlocutor ou receptor, mas, na verdade, é o que dá identidade a determinado povo. 

É também cientificamente comprovado que pensar em alguns idiomas ou ser fluente nestes aciona mudanças cognitivas consideráveis no cérebro no que tange percepção, memória, raciocínio, por exemplo. 

TEORIA: "Edward Sapir era um antropólogo especializado nas associações entre língua e cultura. Benjamin Lee Whorf, por sua vez, um discípulo formado em engenharia química que se fascinou pela linguística a tempo de mudar sua história. 

Juntos, eles apostaram que a estrutura e o vocabulário de uma língua são capazes de moldar os pensamentos e percepções de seus falantes — e que, portanto, cognição e língua são inseparáveis." 

Teoria esta que inspirou o livro que deu origem ao filme The Arrival. Por outro lado eu também discorri sobre a fluidez das relações contemporâneas, como teorizou o póstumo sociólogo polonês Zygmunt Bauman. Espero que eu tenha conseguido esclarecer certas dúvidas sobre o porquê do texto.

FONTE: Revista Galileu

segunda-feira, 21 de maio de 2018

LOUCA SOCIEDADE PADRÃO

LOUCA SOCIEDADE PADRÃO

Vivemos em uma sociedade em que sentir em demasia denota fraqueza, ou loucura. Condicionados a vida frenética como nas ininterruptas linhas de produção, o ser humano não sente mais, tampouco pensa.

É apenas um 'play' e 'stop', uma sirene que toca e o bando que corre para se esforçar a ser o mais próximo do automático das máquinas, o mais semelhante um ao outro.Olham preocupados de um lado ao outro, temerosos de estarem agindo, pensando ou fazendo algo fora do padrão de conduta estabelecido.

Todos se policiam, apreensivos. Então comentam: "Vejam, o João, como ele tem andado ultimamente, tão diferente, anda diferente, age diferente. Me veio estes dias com uma conversa que não entendi, logo conclui que és louco".

E eles se riem, se riem de sua ignorância e subordinação. Se riem de sua não existência. Se riem da vida que não têm e do pouco que ganham para não viver.

Jorge Azevedo in 2015

terça-feira, 15 de maio de 2018

ASA COGNATA

ASA COGNATA

Se tiver asas
fuja das grades
se tem passos
ame a estrada
se tiver braços
almeje mais espaço
distribua abraços 
se tem olhos
busque o infinito
se for cego
saberá o que é bonito
se tem mãos
rompa com os grilhões
se tem tato
toque os rostos 
se tiver um coração
que amar seja sua oração.

2015

sexta-feira, 4 de maio de 2018

ARDENTE

ARDENTE

O retirante
Não se retira por vontade 
Não lhe agrada 
Ver sua terra distante 
Leva a saudade 
Vai por força de necessidade 
Conhecer a cidade 
Não é luz de lamparina 
O que brilha são zóio da menina 
Pau de arara 
Caminhão lotado 
O peso do mundo 
Quando o banco cede e cai 
Sobre os pés dessa menina 
Tornozelo quebrado 
Coração dilacerado 
Adeus pai e mãe 
Vou pra Sumpaulo 
Tentar a vida 
E quem sabe não mesma viagem 
Também não estava Lula da Silva 
Lula da sina 
Luiz Inácio 
Do latim: ardente 
Portanto um Silva ardente 
Do Sol quente do sertão 
No pau de arara 
Fugindo da seca 
E da pobreza 
Destino Sumpaulo 
Destino operário 
A mulher sob o peso 
Do mundo em seu tornozelo 
Era minha mãe 
O Luiz Ardente 
Era só mais um homem sem zelo 
Só queria água e pão 
Jamais sonhou ser seu destino 
Algo grande seria desatino 
Mas o retirante foi presidente 
Gravou seu nome 
Na História de uma Nação

Jorge Azevedo
05/05/2018