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terça-feira, 3 de setembro de 2019

POEMA SEM FIM


POEMA SEM FIM

PARTE IV

De que matéria fui feita eu
Que contraria a tudo que é humano
Que sentimento tão profano
Uniu-me a consciência de um ateu?

Sem planos, sem objetivos
Passo os dias nessa vã procura
De uma doença para minha cura
Alimentando sentimentos corrosivos.

Matei meus sonhos mais queridos
E os trago a mim acorrentados
Pra tornar o fardo mais pesado
Arrastando um coração já combalido.
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PARTE X 

Há em mim um sentimento inexplicável
Um medo, um temor indescritível
À luz do sol me faço invisível
E à noite, uma sombra indecifrável.

Contra o que tenho lutado e desde quando?
Me ensanguento nessa luta imaginária
Erguendo a minha espada solitária
À um exército de fantasmas sem comando.

Às vezes fujo, apressando os meus pés
Temo muito o embate principal
Pois, a minha armadura é de cristal
E os gládios são tão fortes e cruéis.

Janete Roen

quinta-feira, 10 de maio de 2018

TALVEZ, MEU BEM


Talvez, meu bem
não seja possível
regar as rosas
nem libertar os pássaros
nem preservar os rios
nem alimentar as florestas.

Talvez não seja possível
nem cultivar o sonho
Mas é tarefa infindável
perpetuar o verso.

Talvez a única luz
seja a que vem
do reflexo
da tua alma.

Talvez por isso aquela canção
tão triste
seja a predileta
e a vida repleta
de solidão.

E eu não sou o que sou agora
eu sou
a que ficou para trás.

Jan Roen

segunda-feira, 23 de abril de 2012

VERSO VIVO



O temido verso da procela
Invade a alma, se agiganta
Sobe com fúria à garganta
E o meu corpo inteiro gela.

Velha sensação tão conhecida
Às vésperas já senti no peito a lança
Do hemisfério fúnebre das lembranças
Voltando aos poucos esvaecidas.

Torrão amargo, sinto-lhe o gosto
E na boca o bolo cresce
Insuportável e logo desce
Junto co'a taça do desgosto.

Veneno sutil, ineficaz
Erva importada de aromáticos brotos
De um mundo insólito, ignoto
Finge que é bom, mas bem não traz.

Verso terrível, verso da procela
Vivo! E o meu peito já quase morto
Respira ainda cheirando o mosto
Que a minha alma tanto anela.

Verso cruel dos mais sutis
Sempre a cavar notáveis poços
Até encontrar meus frios ossos
De frio tremendo. E ainda ris!?


Te imagino ainda tão formidável
As tuas linhas, o teu esboço
Adorno rico para o meu pescoço
Mas aperta à forca, inexorável.

Janete Roen


quarta-feira, 11 de abril de 2012

ENGANO



Fui mergulhar em teus olhos lhanos
Mas o amor cercou o destino
E o que era pra ser só um sonho profano
Pouco a pouco tornou-se divino.

Um devaneio da alma poeta
Viu nos teus olhos águas tranquilas
Mas veio a noite escura e tormenta
E o teu mar secou em areia e argila.

Quis voltar, porém, já não pude
Me perdi nesse mar dos teus olhos insanos
E hoje os ventos que sopram são rudes
Dos polos mais frios dos meus desenganos.

Janete Roen