------------------------------------
O caminho do universo – O início
Diriam os deuses que se o universo pudesse escolher, escolheria todo o
caminho em pétalas de rosa. Seria a grama de um verde que lembrasse os
olhos delas, e o azul do céu tudo que habita no oceano dos seus olhos.
Mas, em um mar de possibilidades só haveria uma de caminhar. E o
caminho não seria o mais tênue e leve, seria movido pela paixão, desejo e
amor de estar presente na presença dela, ser redundante o suficiente
para amá-la o dobro, corajoso o suficiente para entregar bilhões de anos
de sua existência em busca dela, a sua musa inspiradora, e paciente o
suficiente para começar tudo de novo.
Então! Deixou-se levar
pelo fio que habita a eternidade, pelo horizonte que puxa toda a
existência e digno de sentir todo o absoluto.
Sua respiração
inicial era intensa, explosiva e silenciosa, um equívoco a razão, um
paradoxo para a linguagem e uma ausência de tempo e espaço. Era ali,
naquele ponto disforme, sobre olhares sobrenaturais que o universo dava o
seu primeiro movimento, não haveria choro, ou qualquer tipo de dor,
apenas o sentimento de viajante, aventureiro, capitão, senhor dos mares,
dominador de leões.
E quem poderia acalmar todo seu
esplendor? Era luz, pura luz, e um determinado e singular amor, e assim
seria por um instante, um breve instante de todo o tempo, uma
singularidade e tudo aquilo que a ciência não pode enxergar.
Sentia-se conectado, adjacente, emaranhado. Todos os lugares no mesmo
lugar, todos os sentimentos em um só, e tudo de sua desejada em si. Pura
sintonia em sinfonia. Tudo que seria era tudo o que era naquele exato
momento, todo o movimento que precede a busca pelo fim. Toda conjuntura
existencial que se definia na figura de sua amada. De todas as ruas, de
todas as brechas, aberturas, portas, caminhos, rachas ou fendas, seria
aquele que escolherá: amá-la incondicionalmente e de uma forma
intrinsecamente imprevisível.
O que traria com a
imprevisibilidade seria tudo que está no âmago do seu ser, na falta de
palavras, beija-flor na orla marítima, o toque do sol sobre o horizonte,
desde a dança fúnebre de uma estrela que engole seus conterrâneos em um
ato de abraço, até mesmo aquilo que tudo engoli em um ato infinito e
enigmático, se era pesadelo dos deuses, tomou a permissão dos mesmos; se
era um ralo cósmico primordial desejava estar lado a lado de sua amada
em um momento que lacerava do tempo que habitava em si toda a duração.
Queria intenso, e quem não quer? Queria absoluto, e quem não almeja? E
queria de uma vez por todas todo o amor que rasga a alma.
Seria abraço, o aperto no coração. Seria o que precede o gozo, o puro
orgasmo. Seria a flor desabrochando, à distância diminuindo, a ponte que
conecta. Seria de uma vez por todas, dimensão, extensão, tempo, espaço.
Caminho.
Naquele momento diriam os deuses mais uma vez que
seu primeiro passo era a soma de toda a sua presunção, era o conjunto
ordenado, o relojoeiro. O primeiro passo era o simples passo que dava
início a uma longa caminhada. O simples passo que possibilita o fim, a
busca pela finalidade, o risco, a ousadia de mais uma vez estar de mãos
dadas com ela, à praia sobre o sol bronzeante, o cristo redentor, a
lembrança de Zeus, a desejada Grécia.
Autor: Jonathas Pereira Souza