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AROLDO FILHO

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segunda-feira, 9 de maio de 2011

MITOLOGIA GREGA, A VERDADE CRISTÃ


Os povos que habitaram o oriente médio e norte da África desde o mundo antigo, como os egípcios, gregos, romanos e judeus, têm uma mesma raiz, tribos indo-européias que migraram para lá em tempos pré-históricos. Então nada mais natural do que crenças similares entre estes povos. Pesquisas recentes demonstram que, diferente do que tradicionalmente se pensava, a Bíblia judaica não teve o início de sua compilação em torno do século XVII a.C., mas bem posterior, foi escrita no decorrer dos séculos VI a II a.C. conforme estudos publicados em Who Were the Early Israelites? de William G. Dever (2003) e em The Bible Unearthed de Neil A. Silberman e Israel Finkelstein (2001). Praticamente neste mesmo período foram confeccionados os documentos da mitologia grega, ao longo dos séculos VII a III a.C. Vale a pena ressaltar que a mitologia grega é mitologia hoje, mas na Grécia antiga tratava-se da religião daquele povo. A partir da crença destas culturas, judaica e grega, surgiu o cristianismo em meio ao império romano. Os romanos, apesar de destronarem os gregos, eram tão helenizados (helenos foram os povos que tiveram maior contribuição na formação da cultura e do povo grego) quanto os demais povos que viveram sob o domínio grego, entre eles o povo judeu. Embora os cristãos abominem a idéia de sua religião como um sincretismo greco-judaico, as evidências não deveriam ser ignoradas. Dos 27 textos que compõe o Novo Testamento, manual da fé cristã, 26 foram compilados em grego, enquanto a Bíblia judaica, conhecida entre os cristãos como Velho Testamento, foi compilada em hebraico, língua natural dos judeus. A língua e a cultura gregas estavam para o mundo neotestamentário como estão o idioma inglês e a cultura americana para o mundo atual. A semelhança do cristianismo com a mitologia grega é um dos motivos pelo qual o judaísmo repudia a idéia de Jesus como o messias previsto em suas escrituras. Segue 7 analogias, entre muitas outras não citadas aqui, acerca do cristianismo e da mitologia grega.

1. Zeus e Javé

Estes deuses habitavam o céu, eram supremos e criadores da humanidade em suas culturas de origem. Zeus, deus da mitologia grega, costumava ter filhos com humanas. Javé (ou Jeová), o deus judaico-cristão, teve um filho de Maria, chamado Jesus.

Curiosidade: A visão do messias como filho direto de Javé, não é encontrada nos documentos judeus originais, mas a tradução conhecida como Septuaginta, da Bíblia judia para o grego, traduziu a palavra “jovem” erroneamente para “virgem” na profecia sobre o nascimento do messias (Isaías 7.14). Esta tradução, anterior ao surgimento do cristianismo, orientou a crença popular de uma virgem concebendo um filho do próprio Deus. Ora, se Maria engravidou virgem, quem a inseminou não era humano. Mas havendo um erro de tradução, há uma forte possibilidade de Jesus, se existiu, ter tido um pai biológico humano que não foi José, pois José magoado, mas ainda amando Maria, resolveu abandoná-la grávida sem denunciar sua traição, crime punido com morte por apedrejamento, dando-lhe a oportunidade de casar com o verdadeiro pai do menino. Posteriormente, a crença de José neste erro de tradução, o fez mudar de idéia, assumir o filho do desconhecido e entrar para a História como padrasto de Jesus. E Maria, escondendo a identidade do verdadeiro pai, por temer a morte ou uma vida de vergonha – ou por ter sido estuprada, talvez por um parente próximo, ou por ter cedido à vontade de copular antes de casar, o que era inaceitável na sua cultura e época – sustentou a virgindade e entrou para a História como a única mulher mãe de um filho de Javé. Só ela sabe o que passou para salvar a própria pele.

2. Hades e Satanás

Hades era inimigo desejoso da posição de seu irmão Zeus, o qual o enganou lhe deixando a pior parte na partilha do universo, o mundo inferior que leva o seu nome. Hades tentou destronar Zeus para tornar-se supremo, mas teve seu intento frustrado. Na interpretação cristã dos textos judaicos, Satanás, outrora Lúcifer (anjo de luz), o segundo na hierarquia celeste, tentou destronar Javé, mas teve seu intento frustrado e foi lançado num abismo.

3. Hades e Inferno

As palavras originais traduzidas para “inferno” encontradas no Novo Testamento são 3, as hebraicas “sheol” e “geena” e a grega “hades”, esta terceira é exatamente a mesma palavra utilizada na mitologia grega quando se refere a um mundo inferior onde ficam os mortos.

4. Titãs e Anjos Caídos

Os Titãs da mitologia grega são seres descomunais, filhos da deusa Gaia e do deus Urano, permanecem confinados no hades devido sua extrema destrutividade. Segundo o Novo Testamento há anjos caídos (demônios) altamente destrutivos amarrados em abismos.

5. Perseus e Jesus

Perseus, ou simplesmente Perseu, é filho de Zeus com uma humana, salvou a humanidade da fúria de Hades que teve permissão de Zeus para castigar os seres humanos. Perseu desceu ao hades a fim de cumprir sua missão. Semelhantemente Jesus, filho de Javé com uma humana, é salvador da humanidade do poder de Satanás, o qual tem permissão de Javé para agir sobre a Terra. Jesus, como Perseu, desceu ao hades a fim de cumprir sua missão.

6. Asclepius e Jesus

Asclepius, filho do deus Apollo com uma humana, tinha o poder da cura miraculosa e por isso rapidamente ganhou fama, motivado pela compaixão ressuscitou um morto. No cristianismo, Jesus, filho do deus Javé com uma humana, ganhou grande fama ao curar milagrosamente muita gente, movido de grande compaixão ressuscitou a Lázaro.

7. Dionysus e Jesus

Dionísio, do grego Dionysus, era o deus do vinho que, ao lutar contra os inimigos de Zeus, teve morte agonizante, mas ressuscitou pelo poder de Zeus e foi assunto aos céus para uma vida eterna. Jesus, considerado Deus pelos cristãos, transformou água em vinho, foi chamado de beberrão, foi morto após a agonia da cruz, mas ressuscitou pelo poder de Javé e foi assunto aos céus para uma vida eterna.

Curiosidade: O nome Jesus é a versão helenizada do nome hebraico Josué, que significa Deus conosco. Grande parte dos nomes gregos e romanos finalizava em “us” como em Zeus, Deus, Augustus, Maximus, Mateus, Perseus, Asclepius e Dionysus. Finalizações com “us” são incomuns em nomes hebraicos sendo, as mais utilizadas, as terminadas em “as” e “é” como em Josias, Elias, Malaquias, Josué, Javé e Noé, entre outras.

Lugar na História

Da mesma forma que os gregos não imaginavam suas crenças sendo consideradas mitologia no futuro que é hoje, os cristãos não são capazes de conceber suas crenças como mitológicas. O isolamento dos mitos num passado de difícil investigação cegou os gregos e continua cegando os cristãos de todas as épocas. A tradição grega dividia a sua mitologia em 3 períodos: (1) A ação dos deuses num passado distante, (2) a ação dos heróis – filhos de deuses com humanos, os semideuses – num passado mais recente e, por fim, (3) os homens estabelecendo seu próprio governo, minimizando a interferência dos deuses com a ajuda dos heróis que posteriormente se afastaram da humanidade. Assim as novas gerações da Grécia antiga conheciam os deuses e heróis somente em escrituras do passado, acreditando que tudo aquilo havia realmente acontecido. Da mesma forma os cristãos têm sua mitologia dividida em 3 períodos: (1) A crença em um deus criador que agiu em meio ao povo hebreu do passado, (2) posteriormente, num passado menos distante, a crença na visitação de um filho de Deus e, por fim, (3) a humanidade com a responsabilidade de governar a si mesma a partir da ida do filho de Deus até um juízo final. Observe que o ultimo período de cada crença “explica” a pouca atividade dos deuses, enganando a correta percepção de que eles nunca existiram. De fato os semideuses cridos no politeísmo grego não são encontrados fora de obras literárias mitológicas, da mesma forma o semideus do monoteísmo cristão, Jesus, também não tem nenhum registro extrabíblico de sua existência. Mas os cristãos, ao longo dos 4 primeiros séculos de nossa era – que não era reconhecida como era cristã pelos próprios cristãos até o século VI e pelas nações européias até o século XII – criaram o mito Jesus e cederam-lhe um lugar imaginário no passado do nosso mundo real, repetindo o que os antigos gregos fizeram aos seus heróis mitológicos.