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terça-feira, 3 de setembro de 2019

POEMA SEM FIM


POEMA SEM FIM

PARTE IV

De que matéria fui feita eu
Que contraria a tudo que é humano
Que sentimento tão profano
Uniu-me a consciência de um ateu?

Sem planos, sem objetivos
Passo os dias nessa vã procura
De uma doença para minha cura
Alimentando sentimentos corrosivos.

Matei meus sonhos mais queridos
E os trago a mim acorrentados
Pra tornar o fardo mais pesado
Arrastando um coração já combalido.
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PARTE X 

Há em mim um sentimento inexplicável
Um medo, um temor indescritível
À luz do sol me faço invisível
E à noite, uma sombra indecifrável.

Contra o que tenho lutado e desde quando?
Me ensanguento nessa luta imaginária
Erguendo a minha espada solitária
À um exército de fantasmas sem comando.

Às vezes fujo, apressando os meus pés
Temo muito o embate principal
Pois, a minha armadura é de cristal
E os gládios são tão fortes e cruéis.

Janete Roen

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

DISCURSO DE ROSIMAR BRITO AO RECEBER A MEDALHA DE MÉRITO LEGISLATIVO EM 2004

https://jornaldelfos.blogspot.com/2018/11/discurso-de-rosimar-brito-ao-receber.html
DISCURSO DE ROSIMAR BRITO AO RECEBER A MEDALHA DE MÉRITO LEGISLATIVO EM 2004

Senhoras e senhores, queridos familiares, caros amigos:

Li, certa vez, uma artigo que citava um fato curioso: uma figura ilustre , representante da cultura cearense, em protesto contra a implantação de valores estranhos à cultura popular local, disfarçou-se de mendiga caipira e adentrou o recinto onde estava presente a elite social daquela cidade.



Convidada a retirar-se do local por estar "atrapalhando" aquela apresentação cultural, a celebridade, consciente do impacto que causaria a todos, retirou o lenço da cabeça , ergueu altivamente o rosto para a plateia e nada precisava fazer para que todos a reconhecessem e os promotores do evento envergonhados lhe apresentassem as suas desculpas.



Em Pacoti, hoje, acontece o inverso: pessoas de pouca representatividade no contexto social do município, como eu e meus familiares (inclusive meus pais) aqui presentes, podemos vivenciar momentos únicos como este na vida de um cidadão, em que a cúpula política do Município de Pacoti, na figura dos ilustres representantes do povo na Câmara Municipal, sem qualquer favor, barganha ou interesses escusos, presta uma das mais importantes homenagens à pessoa de uma professora, filha desta terra.

Fico muito feliz com esta iniciativa porque reconheço a importância deste Comenda e o que ela representa para quem dedicou toda a sua vida ao trabalho e, principalmente, à Educação, alicerce de todos os cargos e encargos sociais e nem sempre valorizado.



Para o final de nossa caminhada sobre a Terra, geralmente ficam as dores (do corpo e da alma), a morte e o esquecimento. Atitudes como esta dos titulares desta egrégia Câmara Municipal, hoje,  garantem para as futuras gerações, a imortalidade de pessoas que deixarão o seu legado e o seu testemunho de fé e coragem na busca e conquista de dias melhores.



Agradeço, de coração es deferência e aceito-a, sem nenhum constrangimento, porque sei que ela é sincera e verdadeira, pois conheço, de perto, os motivos pelos quais os senhores parlamentares da minha querida Pacoti incluíram meu nome na lista dos dez merecedores desta honrosa homenagem.



Não seria verdadeiro nem honesto da minha parte, esconder ou tentar disfarçar, neste momento, a grande satisfação e o imenso orgulho que me invadem a alma. Satisfação por gozar do privilégio de compartilhar esta homenagem com figuras humanas dignas das mais altas manifestações de respeito e reconhecimento, como o Ir Zoé e todos os outros aqui escolhidos. E orgulho por considerar -me uma pessoa abençoada por Deus e, por esta razão, uma mulher muito, muito feliz mesmo em poder dividir com os meus pais, meus filhos, meus inseparáveis irmãos, parentes e amigos, todos muito amados, que se fazem presentes a esta solenidade, as glórias deste momento único e muito significativo na vida de quem caminhou firme rumo à construção da própria identidade. Muito obrigada!

Rosimar Brito
2004

segunda-feira, 21 de maio de 2018

LOUCA SOCIEDADE PADRÃO

LOUCA SOCIEDADE PADRÃO

Vivemos em uma sociedade em que sentir em demasia denota fraqueza, ou loucura. Condicionados a vida frenética como nas ininterruptas linhas de produção, o ser humano não sente mais, tampouco pensa.

É apenas um 'play' e 'stop', uma sirene que toca e o bando que corre para se esforçar a ser o mais próximo do automático das máquinas, o mais semelhante um ao outro.Olham preocupados de um lado ao outro, temerosos de estarem agindo, pensando ou fazendo algo fora do padrão de conduta estabelecido.

Todos se policiam, apreensivos. Então comentam: "Vejam, o João, como ele tem andado ultimamente, tão diferente, anda diferente, age diferente. Me veio estes dias com uma conversa que não entendi, logo conclui que és louco".

E eles se riem, se riem de sua ignorância e subordinação. Se riem de sua não existência. Se riem da vida que não têm e do pouco que ganham para não viver.

Jorge Azevedo in 2015

terça-feira, 15 de maio de 2018

ASA COGNATA

ASA COGNATA

Se tiver asas
fuja das grades
se tem passos
ame a estrada
se tiver braços
almeje mais espaço
distribua abraços 
se tem olhos
busque o infinito
se for cego
saberá o que é bonito
se tem mãos
rompa com os grilhões
se tem tato
toque os rostos 
se tiver um coração
que amar seja sua oração.

2015

quinta-feira, 10 de maio de 2018

TALVEZ, MEU BEM


Talvez, meu bem
não seja possível
regar as rosas
nem libertar os pássaros
nem preservar os rios
nem alimentar as florestas.

Talvez não seja possível
nem cultivar o sonho
Mas é tarefa infindável
perpetuar o verso.

Talvez a única luz
seja a que vem
do reflexo
da tua alma.

Talvez por isso aquela canção
tão triste
seja a predileta
e a vida repleta
de solidão.

E eu não sou o que sou agora
eu sou
a que ficou para trás.

Jan Roen

sexta-feira, 4 de maio de 2018

ARDENTE

ARDENTE

O retirante
Não se retira por vontade 
Não lhe agrada 
Ver sua terra distante 
Leva a saudade 
Vai por força de necessidade 
Conhecer a cidade 
Não é luz de lamparina 
O que brilha são zóio da menina 
Pau de arara 
Caminhão lotado 
O peso do mundo 
Quando o banco cede e cai 
Sobre os pés dessa menina 
Tornozelo quebrado 
Coração dilacerado 
Adeus pai e mãe 
Vou pra Sumpaulo 
Tentar a vida 
E quem sabe não mesma viagem 
Também não estava Lula da Silva 
Lula da sina 
Luiz Inácio 
Do latim: ardente 
Portanto um Silva ardente 
Do Sol quente do sertão 
No pau de arara 
Fugindo da seca 
E da pobreza 
Destino Sumpaulo 
Destino operário 
A mulher sob o peso 
Do mundo em seu tornozelo 
Era minha mãe 
O Luiz Ardente 
Era só mais um homem sem zelo 
Só queria água e pão 
Jamais sonhou ser seu destino 
Algo grande seria desatino 
Mas o retirante foi presidente 
Gravou seu nome 
Na História de uma Nação

Jorge Azevedo
05/05/2018

sábado, 31 de março de 2018

EMERGÊNCIA DE MARACANAÚ É REABERTA

EMERGÊNCIA DE MARACANAÚ É REABERTA

Após forte pressão do povo com intermédio do Ministério Público a justiça determinou a reabertura da Emergência de Maracanaú que tinha sido fechada pelo prefeito Firmo Camurça. Sinal de que a união popular é necessário e dá resultado. Parabéns povo de Maracanaú pela vitória na luta!

Ateu Poeta
01/04/2018