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Origem das Visitas

AROLDO FILHO

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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Manipulação pelo Desconhecido


A Manipulação pelo Desconhecido

Para a velha igreja, o demônio não é mera personificação arquetípica do mal, como ocorre nos mitos, mas sim, um ser com status metafísico e que tem como ocupação exclusiva e irremediável a prática de maldades. Operando como princípio ativo do mal, o anjo caído é o portador da mentira, do vício, da dor e da desgraça, enquanto habita o imaginário humano desde os primórdios do cristianismo, com uma força intermitente e sorrateira que persiste ao tempo.
Agora, o malfeitor é reverenciado através do discurso “marqueteiro” da nova indústria religiosa. A satanização voltou à moda e é o foco operacional de algumas seitas. O novo diabo não aparece mais rabudo e chifrudo como outrora, mas ainda carrega a acusação de se ocultar por detrás das doenças do mundo e, nas igrejas, se esconde na imoralidade, na pedofilia e na ganância.
Apesar da humanidade ter superado um longo período de superstições e dogmas ultrapassados, o gênio do mal, em pleno século XXI, conta com uma revalorização de sua influência. Não faltam exorcistas de plantão a espera da oportunidade de expulsá-lo em troca de uma generosa contribuição.  Durante mais de trezentos anos, a pretensa purificação pirotécnica da igreja, sob o insuspeito controle papal, torturou e assou muita gente nas fogueiras repressoras da Inquisição. Nada além de um jogo cênico que sensibiliza as supostas vítimas da possessão, desiludidas com a própria incapacidade de assumir o controle sobre a existência.  O perverso, acorrentado pelo poder da oração e untado pelo azeite sagrado é usado como pretexto para atender a diversas conveniências políticas.
A imagem do malvado não é mais do que uma representação do inconsciente coletivo para um processo no qual o homem transfere para o mito toda a maldade que existe dentro de si.  Dessa forma, fica o demônio responsabilizado pela parte maléfica do ser. Trata-se de um mito útil, porque lembra ao homem a sua própria animalidade, na forma de seus instintos básicos, isto é, aquela parte humana que não tem nada de divina. É justamente pelo cultivo do ódio e da agressividade, que o mito do demônio encontra forças para sobreviver.
Reflexão e autoconhecimento são os caminhos para a liberdade e implicam em deixar de segurar o capeta interior dentro de sua gruta.  É preciso encarar sua feiúra de frente e lidar de modo profundo e sincero com os piores aspectos humanos relegados ao inferno particular, aquele transpessoal sombrio no qual habita o prazer pela destruição e o egoísmo. O demônio de cada um supera a razão e tem plena capacidade de dominar. Ocultar a própria vergonha, projetando sobre os outros a maldade, só faz crescer, ainda mais, o preconceito e a condenação.  Já tivemos fogueiras e exorcismos o suficiente.

Wasil Sacharuk