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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Manipulação pelo Desconhecido

A Manipulação pelo Desconhecido

Para a velha igreja, o demônio não é mera personificação arquetípica do mal, como ocorre nos mitos, mas sim, um ser com status metafísico e que tem como ocupação exclusiva e irremediável a prática de maldades. Operando como princípio ativo do mal, o anjo caído é o portador da mentira, do vício, da dor e da desgraça, enquanto habita o imaginário humano desde os primórdios do cristianismo, com uma força intermitente e sorrateira que persiste ao tempo.

Agora, o malfeitor é reverenciado através do discurso “marqueteiro” da nova indústria religiosa. A satanização voltou à moda e é o foco operacional de algumas seitas. O novo diabo não aparece mais rabudo e chifrudo como outrora, mas ainda carrega a acusação de se ocultar por detrás das doenças do mundo e, nas igrejas, se esconde na imoralidade, na pedofilia e na ganância.

Apesar da humanidade ter superado um longo período de superstições e dogmas ultrapassados, o gênio do mal, em pleno século XXI, conta com uma revalorização de sua influência. Não faltam exorcistas de plantão a espera da oportunidade de expulsá-lo em troca de uma generosa contribuição.  Durante mais de trezentos anos, a pretensa purificação pirotécnica da igreja, sob o insuspeito controle papal, torturou e assou muita gente nas fogueiras repressoras da Inquisição. Nada além de um jogo cênico que sensibiliza as supostas vítimas da possessão, desiludidas com a própria incapacidade de assumir o controle sobre a existência.  O perverso, acorrentado pelo poder da oração e untado pelo azeite sagrado é usado como pretexto para atender a diversas conveniências políticas.

A imagem do malvado não é mais do que uma representação do inconsciente coletivo para um processo no qual o homem transfere para o mito toda a maldade que existe dentro de si.  Dessa forma, fica o demônio responsabilizado pela parte maléfica do ser. Trata-se de um mito útil, porque lembra ao homem a sua própria animalidade, na forma de seus instintos básicos, isto é, aquela parte humana que não tem nada de divina. É justamente pelo cultivo do ódio e da agressividade, que o mito do demônio encontra forças para sobreviver.

Reflexão e autoconhecimento são os caminhos para a liberdade e implicam em deixar de segurar o capeta interior dentro de sua gruta.  É preciso encarar sua feiura de frente e lidar de modo profundo e sincero com os piores aspectos humanos relegados ao inferno particular, aquele transpessoal sombrio no qual habita o prazer pela destruição e o egoísmo. O demônio de cada um supera a razão e tem plena capacidade de dominar. Ocultar a própria vergonha, projetando sobre os outros a maldade, só faz crescer, ainda mais, o preconceito e a condenação.  Já tivemos fogueiras e exorcismos o suficiente.

Wasil Sacharuk

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Inocente e Réu


Inocente e Réu

Onde andei, por caminhos difíceis, sombrios e íngremes
Descobri a esperança, o renovar de cada andança, caridades e crimes
Passeando e observando no caminho, pássaros que vão e vem com gravetos no bico
Lembro de outras épocas, ninhos de cantos e gemidos.

Uma vida de baixos e apogeus.

Sinto saudade, sinto o perdão que outrora não conhecia
Aprendi, durante esses anos vividos, a amar e saciar a quem me sacia.

Doar-me mais e cobrar menos, a ser moderno amando o eterno, ser bom aprendiz
Aprendi a controlar minha raiva, ter paciência, pisando em ovos passando feliz.

Nesse caminho, a luz de fogos, declamo mansinho os versos teus
O vento mexe as margaridas, campos de trigo, a minha vida, baú de amigos.

Em outra vida eu fui um rei, ou fui um príncipe, bobo da corte ou um plebeu
Quem sabe hoje eu te visito e faço um bolo aos sons antigos.
Só tu e eu.

Na paisagem de tua janela, de frente ao lago, o pôr do sol
E no crepúsculo, ouvindo os sapos, os violinos, clave de sol
Sinto o toque divino, no verde e no azul piscina do céu
Vejo que ainda sou menino, sou desde pequeno, inocente e réu.

Texto: André Anlub
Foto: Caririaçu (arquivo pessoal)

domingo, 16 de outubro de 2011

DOE, NÃO DÓI


DOE, NÃO DÓI

Doe sangue, doe vida
Doe órgãos, dê uma saída
A vida é curta, curta a vida
De uma chance de alguém viver.

A fila é longa demais
A espera é dolorosa
Faça uma ação amorosa
Não deixe a bondade para trás.

Não é ser altruísta
Não é ser caridoso
É ser simplesmente humano
Generoso.

Querendo ou não doar
Passe adiante a mensagem
Para alguém se informar
E iluminar sua imagem.

André Anlub

sábado, 15 de outubro de 2011

EU ESTAVA AQUI



EU ESTAVA AQUI

Eu estava aqui
E sempre,
Sempre te amei
Eu estava aqui
Todos viram
Menos você
Eu estava aqui
E vivi por você
Eu te amei
Eu estava aqui
Todo o tempo
Te amando incondicionalmente
Sofrendo, por não ter você,
Dores insuportáveis
Que não sei como suportei
Mas mesmo assim
Eu estava aqui
Te amando
Sem me importar
Se todos diziam que não ia dar
Eu estava aqui
E te amei
Com todas as minhas forças
Até quando
Meu coração pôde aguentar
Eu estava aqui.

Gabriel:

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

SE AO MORRER EU CHORAR


SE AO MORRER EU CHORAR

Se ao morrer eu chorar
É choro de despedida
Ninguém precisa é orar
Cumpri meu ciclo de vida

Não é um choro de medo
De padecer no inferno
Pois aprendi desde cedo
Não há sofrimento eterno

Morrem comigo lembranças
Juntas na minha memória
Morrem também esperanças
Mas fica a minha história

Pois vivo deixo o ideal
Da liberdade da mente
E uma esperança real
Em forma de uma semente

De um mundo sem mentira
Sem medo e sem ilusão
Onde tenha fim a ira
E onde brote a razão

Onde se busque a verdade
Onde viceje a virtude
Onde a ética e a lealdade
Seja comum atitude

Onde se use a emoção
E todo nobre sentimento
Onde em todo coração
Se ponha fim ao tormento

Gerado por quem tem poder
E que cultua a avareza
Mas que não pode esconder
A sua humana pobreza

De desprezível egoísmo
De vã superioridade
De descarado cinismo
De pura mediocridade

Que hoje é admirado
E amanhã não mais será
Pois quem é ora enganado
Toda a verdade verá

E assim na humanidade
A nova aurora nascerá
E em paz com fraternidade
O novo mundo crescerá

LUCIANO S.F.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Voto Distrital: Solução ou preocupação?


Texto: Joseclei Nunes(@JosecleiNunes) e Fernando Colhado(@FuturoSociologo)
A reforma política tão esperada por todos no país, principalmente no que se trata diretamente de resolver um dos piores e mais antigos problemas encontrados no Brasil, a corrupção! Para tanto, o que se vê na política, e com grande intensidade, e em anos eleitorais, são os já conhecidos investimentos de empresas nas campanhas eleitorais! Com base nestas informações, há uma tentativa de resolver a questão com uma alternativa aparentemente eficaz. Através dessa reforma que tenta acabar com a corrupção dentro do país, surge um movimento com apoio de famosos, jornalistas e militantes pela mudança do sistema eleitoral do voto proporcional para o voto distrital, mas seria a forma mais certa de combater a corrupção?

Segundo o Wikipédia, o voto distrital é, na mídia e nos meios políticos brasileiros, sinônimo de sistema eleitoral de maioria simples. Esse é um sistema em que cada membro do parlamento é eleito individualmente nos limites geográficos de um distrito pela maioria dos votos. Para tanto, o país é dividido em determinado número de distritos eleitorais, normalmente com população semelhante entre si, cada qual elegendo um dos políticos que comporão o parlamento. Esse sistema eleitoral se contrasta com o voto proporcional, no qual a votação é feita para eleger múltiplos parlamentares proporcionalmente ao número total de votos recebido por um partido, por uma lista do partido ou por candidatos individualmente.

Desde 1988 se discute o voto distrital quando se fez o plebiscito do Parlamentarismo com simpatia de muitos políticos, porém não foi definido e até os tempos de hoje esse sistema ainda é debatido.

Como já disse o sociólogo e presidente da Vox Populli:


“No voto distrital é possível que quase a metade de uma região, Estado ou do País fique sem representação. E é certo que, para as minorias étnicas, religiosas, culturais, de gênero ou opinião, entre outras, seria quase impossível eleger deputados.” (Marcos Coimbra-Vox populi)

Uma das grandes desvantagens do voto distrital é o enfraquecimento das correntes minoritárias como grupos religiosos, étnicos e outros grupos, pois quem se beneficiaria com isso seriam os candidatos que defendam interesses gerais da população, mas vamos às contas.

E com isso a representação de trabalhadores e dos movimentos sociais no Congresso é nociva, numa visão elitista de que ali só comporta os pressupostos das classes dominantes, os representantes da grande burguesia (banqueiros, grandes empresários e latifundiários).

Numa previsão otimista, novamente saído de outro esdrúxulo "cálculo", vão dizer que com a nova fórmula, 35 sindicalistas não teriam sido eleitos em 2010, além disso, querem restringir a democracia e transformar o país num sistema bipartidário, antidemocrático, nos moldes dos EUA e Inglaterra. 

No ano passado, éramos 135,8 milhões de eleitores. Se fossem 513 distritos, a média seria de perto de 265 mil eleitores em cada um.

Em com voto distrital, a praxe é fazer essa conta, aplicando o princípio de “cada cabeça, um voto”. Quando são federativos (como os Estados Unidos), procura-se, no entanto, corrigir a eventual falta de representação dos Estados pequenos, assegurando que tenham ao menos um distrito.

Aplicando o princípio e supondo que ficaríamos com 513 distritos (pois seria pouco provável que a sociedade apoiasse o aumento do número de deputados), todos os Estados teriam sua representação diminuída, à exceção de São Paulo (onde ela quase dobraria).

Temos o um exemplo tirado de um artigo do Alberto Carlos Almeida do Valor Econômico:

Em um distrito britânico onde há três candidatos, um conservador, um trabalhista e um liberal-democrata, é comum que o candidato liberal-democrata fique na terceira posição em proporção de votos.

Somando-se todos os liberais - democratas que ficaram em terceiro lugar nos mais de 600 distritos britânicos, pode-se obter, por exemplo, que esse partido teve um total nacional de 10% dos votos

Porém, como esses 10% de votos não foram para nenhum candidato que ficou em primeiro lugar, foram desperdiçados, jogados no lixo, esses 10% de votos não elegeram deputado algum. Somente os liberais - democratas que ficaram em primeiro foram eleitos, mas, somando-se a votação nacional de todos os primeiros colocados desse partido, tem-se somente 6%

É por isso que o partido fica com 16% dos votos nacionais e somente 7% das cadeiras do parlamento. Isso jamais ocorre no nosso sistema eleitoral, que é o proporcional.

Foi assim que em 1983 os liberais - democratas britânicos tiveram 25,4% dos votos, mas somente 3,5% das cadeiras, um completo absurdo, uma completa falta de proporcionalidade, uma total injustiça distributiva quando se considera a relação entre votos e cadeiras. 

Em 1987 foram 22,6% dos votos que resultaram somente em 3,4% de cadeiras; em 1992 ocorreu que 17,8% dos votos foram traduzidos em somente 3,1% de assentos no parlamento. 

Em 1997 a injustiça foi menor, mas permaneceu: 16,7% dos votos os levaram a obter 7% de cadeiras. Daí para frente, a situação só fez piorar: em 2001, 18,3% dos votos resultaram em 7,9% de assentos parlamentares; em 2005, 22,1% dos votos conquistaram 9,6% das cadeiras, e em 2010 a situação foi ainda pior, quando 23% dos votos resultaram em somente 8,8% de cadeiras. 

Todos os lugares que adotam o voto distrital punem cruelmente o terceiro partido. Esqueça quarto partido, ele simplesmente não existe na prática.

Se o Brasil adotar o voto distrital, sobreviverão apenas três partidos, que provavelmente serão o PT, o PMDB e o PSDB, já que são os partidos com a maior bancada, sendo que depois um ficaria mais fraco futuramente e isso o país deixaria de ter um multipartidarismo e se tornaria [binário]. 

Enquanto isso os demais serão liquidados, extintos, aniquilados. 

Será justo com a liberdade de escolha que os partidos que defendem os direitos sociais, que lutam pelos trabalhadores outras causas, sejam extintos? Desta forma, com os exemplos citados, já se pode ter uma noção do quanto é nocivo se utilizar esta alternativa para a reforma política! Não queremos e nem podemos aceitar esta solução que, aparentemente, resolve a situação, quando na verdade, irá criar outros ainda piores!

Além disso, pelas questões de distritos, alguns Estados estariam na mão de verdadeiros bandidos, como o Rio de Janeiro, onde em boa parte da população vivem em comunidades sobre o comando de traficantes e milicianos, e com isso como em eleições anteriores, poderíamos ter candidatos ligados a esse tipo de bandidagem, porém, isso teria que ser bem analisado, sem falar também da bancada ruralista e dos setores empresariais, que vivem a travar qualquer lei que beneficie os trabalhadores. Com campanhas eleitorais majoritárias para deputados e vereadores, a representação desses setores (os ricos e milionários) vai aumentar substancialmente e consequentemente reduzir a bancada da representação popular.

Então, para ver apenas alguns detalhes, o voto distrital passa a ser interessante apenas para um grupo majoritário, onde eles levariam o país a um ponto de 2 escolhas e não várias, como temos hoje, porém movimentos deixariam de eleger seus candidatos, mais os lideres de uma comunidade que oprime uma comunidade passa a ter mais chances do que muitos bons políticos, e seria assim, o voto distrital poder diminuir a corrupção? Deixo essa para vocês.

Fontes:








quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Se for falar da Portela, hoje não vou terminar

Texto: Joseclei Nunes (@JosecleiNunes)

Tirando do trecho de um dos sambas de Monarco, onde deu inspiração a um dos sambas mais bonitos da Portela nesses últimos dez anos com enredo, E por falar de amor... Onde anda você?

“São vinte e uma estrelas que brilham em meu olhar,
Se for falar da Portela, não vou terminar.”

 Venho aqui falar da minha e de muitos que tem uma paixão por essa escola chamada Portela, com sua águia e seu pavilhão azul e branco.

   Nascida com o nome Vai como pode e depois em referência a estrada no bairro de Madureira e Oswaldo Cruz, surge umas das escolas mais tradicionais do carnaval carioca e que continua levando multidões até hoje. Uma escola que surgiu nomes comoPaulo da Portela, Jair do Cavaquinho, Tia Doca, Candeia, Zeca Pagodinho, Clara Nunes, Paulinho da Viola, Marisa Monte, João Nogueira, Ary do Cavaco, Manacéia e entre outros, é quase impossível falar da Portela em apenas um artigo.

  Falar da Portela é quase falar da minha vida, pois lembro minha primeira vez que pisei na quadra, em 1993 com enredo Cerimônia de Casamento, mas a minha paixão só acendeu mesmo em 95 com Gosto que me Enrosco, com dez anos de idade.

  Campeã na primeira vez em 1935, Portela coleciona 21 títulos, com alguns recordes como sete vezes campeã seguida: 41 até 47 e a primeira escola levar 10 em todos os quesitos que aconteceu em 1953 com o enredo Seis Datas Magnas e muitas outras curiosidades que só a Portela tem.

   Mas quando se fala de Portela, também se fala de desfiles memoráveis. Desfile que mesmo não sendo campeã, são inesquecíveis.

   Apesar de não ter vivido essa época de glórias, tenho guardados sambas de desfiles memoráveis como 79 com o enredo Incrível, Fantástico e Extraordinário, onde a escola também levou o estandarte de ouro de melhor escola e samba-enredo, mas ficou apenas em terceiro lugar.

“Incrível! Fantástico! Extraordinário!
O talento de um povo
Que mantém acesa a chama da tradição
O carioca tem um "quê"
Sabe amar e viver
Ao dançar no salão ou no cordão
Trabalha de janeiro a janeiro
Em fevereiro cai na delícia da folia.”

    Em 1995, com o vice campeonato, onde a escola perdeu por apenas meio ponto, mas sempre esta na memória do portelense e de muitos que falam até hoje que é a campeã do povo. A escola vem com o enredo Gosto que me Enrosco, mais uma vez a escola leva os estandartes de ouro como melhor escola e melhor samba-enredo.

“Bate o bumbo, lá vem Zé Pereira
E faz Madureira de novo sonhar
A Portela não é brincadeira
Sacode a poeira, faz o povo delirar."

   Em 1992 com o enredo com o enredo Todo azul que o azul tem, um desfile memorável que colocou o pavilhão azul e branco na quinta posição, que faz muito portelense lembrar desse desfile:

Quero a alegria de um azulão
Sobrevoando o lindo azul do mar
Dei bilhete azul para a tristeza
Amor vem comigo sambar
Oh! Estrela, soberana triunfal
Cor de pedra preciosa
Traz a nobreza para o carnaval.”

  E também não podemos esquecer 98 e 2009.

  Em 98, depois de ficar fora dos desfiles das campeãs, a Portela novamente voltar mostrar um desfile digno de portelense, com enredo Olhos da noite onde ganha o estandarte de Ouro de melhor samba enredo e fica em quarto lugar.

“A noite, se vestiu de Azul e branco
Abril seu manto, com encanto e poesia
Seus olhos, são a luz do luar
Que ilumina a passarela, para a "Portela" passar.”

  E em 2009 como 95 e 2008, faz um desfile belo e técnico, que depois do resultado, muitas escolas achavam que a escola merecia o título, mas sem dúvida aquele ano era do Salgueiro. A escola vem com o enredo E por falar de amor... Onde anda você?, chegou a ficar em segundo até o último quesito, mas no final termina em terceiro.

“Oh! Majestade do Samba
Meu orgulho maior é tua bandeira
Chegou minha Portela! Meu eterno amor
A luz de Oswaldo Cruz e Madureira.”

  Esses são apenas alguns dos desfiles memoráveis onde a escola fez uma bela apresentação, mas não levou o título. Agora vamos falar de alguns onde a escola terminou campeã.

  Começamos por 84 com o enredo Contos de Areia, empatada com a Mangueira, perde apenas na decisão de sábado, foi também o primeiro ano no sambódromo e a escola vem falando de seus baluartes e contando a sua própria história.

“Bahia é um encanto a mais
Visão de aquarela
E no ABC dos Orixás
Oranian é Paulo da Portela
Um mundo azul e branco
O deus negro fez nascer
Paulo Benjamim de Oliveira
Fez esse mundo crescer (okê, okê).”

   Em 1980, com o enredo Hoje tem marmelada. Cheguei a ouvir de algumas partes da escola, que o enredo veio devido ao ano interior, onde a escola fizera um excelente desfile, mas não se consagrou campeã, mas 80, com certeza foi um dos desfiles mais belos que ouço falar, onde a escola se sagra campeã depois de 10 anos, mas empatada com Imperatriz e Beija-Flor.

“E nesse reino encantado
A arte se faz aplaudir
Me embala na rede do tempo
Feliz sonhador
Sou criança e vou sorrir
Arranco do peito um aplauso
E num abraço venho homenagear
Hoje a alegria do palhaço
Na tristeza dá um laço
E faz minha escola cantar.”

  E no fim 1970, com o enredo Lendas e mistérios da Amazônia. Um desfile épico, com um dos sambas mais belos de todos os tempos, a escola se consagra como campeã e chegou também a ser reeditado em 2004 em homenagem aos 20 anos do sambódromo, mas a escola fica apenas em sétimo lugar.

“Nesta avenida colorida
A Portela faz seu carnaval
Lendas e mistérios da Amazônia
Cantamos neste samba original
Dizem que os astros se amaram
E não puderam se casar.”

  É quase impossível falar de uma história tão rica como a Portela. Uma escola de samba de desfiles memoráveis, sendo algumas que não citei que até hoje se houve na quadra. Sambas como Das maravilhas do mar, fez-se esplendor de uma noite de 1981, Macunaíma, herói de nossa gente de 1975 e Ilu Ayê de 1972, além de belas músicas escritas por compositores como Foi um Rio que passou em minha vida de Paulinho da Viola e Portela na Avenida de Clara Nunes.

  Falar de Portela é isso. É amor, dedicação, Religião, família. Nos momentos de glória, nos momentos mais difíceis como em 2005, onde o enredo Nós podemos, oito idéias para mudar o mundo, onde o nosso patrimônio, a velha guarda, não entrou no desfile, nos momentos de apreensão na hora de deixar nosso maior símbolo a águia, bonita para desfilar.

  Falar de Portela, é para chorar quando entra na avenida, é para pular de alegria a cada dez e sempre manter a sua história, seu patrimônio, seus desfiles, seus compositores e toda sua família portelense, pois falar de Portela, não tem como terminar...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Revista Veja: Informação ou falso Jornalismo?

https://jornaldelfos.blogspot.com.br/2011/09/revista-veja-informacao-ou-falso.html
Revista Veja: Informação ou falso Jornalismo?

Texto de Joseclei Nunes (@JosecleiNunes) & Fernando Colhardo (@futurosociologo)

Em 2006, quando estava trabalhando como representante de assinaturas para Editora Abril, lembro que uma vez estava com uma stand em uma faculdade e fui abordar um professor para vender a assinatura da revista veja. Até então eu era leigo em suas reportagens, mas como vendedor, recebia um exemplar toda semana da revista e lia, como uma pessoa que lê revistas, mas ao abordar esse professor, ele me respondeu para começar a analisar a revista e me mostrou em formas de imagens algumas copias de capa de alguns exemplares, onde ele tinha dado a aula falando sobre a revista e citando que a revista veja, desde 2003 (isso em 2006) ataca o governo Lula, com criticas, denuncias e etc...

Na semana seguinte, veio as eleições e Lula por pouco não ganha no primeiro turno, mas como a revista veja lança semanalmente todo sábado, e as eleições pelo país foram no domingo a capa da época era citando como seria o Brasil de Alckimin.

A partir dali comecei a analisar e desprezar cada vez mais essa revista, pois eu via que eles na verdade não faziam jornalismo de verdade e a todo custo tentavam acabar com o governo atual, a benefício da elite rica e dos partidos como DEM e PSDB.

Passa se 5 anos e venho analisar, cada semana as capas da revista veja e vendo capas pesadas contra o governo Lula, contra aqueles que tem ideologias de esquerda (até para o Chico Buarque sobrou) e claro, defendendo nomes já ultrapassados como Serra, Alckmim e agora com Aécio Neves, que foi até capa em 2010, dando seu apoio ao Serra no segundo turno. Agora, isso seria jornalismo de verdade ou bandidismo com atos inconstitucionais?

Chega 2011, após a posse da nova presidente, Dilma Roussef, a revista começar a se especializar em derrubar ministros. Até esta data que o artigo foi escrito, foram derrubados 4 ministros, inclusive o braço direito dela, o ministro Palocci. Mesmo sendo verdade ou não, como a revista consegue todos esses dados?Até que então surge uma notícia de ultima hora, que a revista invadiu um quarto de hotel para implantar câmeras escondidas, onde um repórter está sendo acusado de tentar convencer a camareira a deixá-lo entrar no quarto de José Dirceu, fingindo se passar por um colega do ex-ministro que estaria hospedado no mesmo apartamento. Essa denúncia partiu da camareira e do chefe de segurança do hotel, e foi registrada num boletim de ocorrência do 5º distrito policial de Brasília.

Para o deputado Emiliano José (PT/BA) afirma que o caso é extremamente grave e a sociedade brasileira deve reagir ao escândalo com a mesma indignação que os ingleses reagiram aos escândalos dos grampos do jornal News of the World, pertencente ao grupo do bilionário Rupert Murdoch, e que resultou na prisão dos responsáveis, além do fechamento do jornal, maculado de maneira irremediável pelo escândalo dos grampos que foram descobertos e atingiram desde políticos até vítimas de seqüestro. O chamado “Caso Murdoch” abalou a Inglaterra e trouxe à baila a discussão sobre os limites da imprensa na democracia.

Com isso a revista passa de jornalismo para bandidismo, onde a todo custo tenta vender reportagens contra o PT e seu governo, pois chegar ao ponto de convencer um funcionário de um hotel para todo custo buscar reportagens. É possível que alguns leitores concordem com os métodos empregados pela revista e fiquem tão maravilhados, mesmo Sabendo- que o passado da Veja, entretanto, e das causas que abraça, não chega a surpreender esse tipo de jornalismo praticado pela revista. São muitos os entrevistados de Veja que se queixam de que suas declarações foram deturpadas, pelo mesmo método usado na televisão: a edição. Nesse caso, do texto. É só pinçar uma frase e juntá-la a outra, dita em contexto diferente, e você terá uma informação deformada, mentirosa. Por isso, quando se trata de Veja, os entrevistados mais experientes exigem que tudo que foi dito seja gravado.

Segundo a reportagem do Observatórioda imprensa:

Analisando as imagens da Veja, percebe-se com facilidade se tratar de uma minicâmera para espionagem. Câmeras de segurança, por terem fonte de luz IV própria, não são instaladas próximas a anteparos de iluminação, pois o reflexo da luz branca atrapalha. As imagens divulgadas pela Veja identificam que a câmera usada para captá-las estava instalada junto ao anteparo de luz. Eles usam normalmente esse artifício para ocultar o equipamento, e ter uma fonte de luz e energia para ligar a câmera.

Perceba na imagem abaixo, os reflexos nas cabeças de José Dirceu e Fernando Pimentel que estão mais próximos a câmera, demonstrando que foi ocultada em um anteparo de luz.


As provas que Veja produziu contra si mesma agravaram a sua situação. Agora, além de tentativa de invasão de domicílio e falsidade ideológica, existe a confissão de invasão de privacidade, não só de José Dirceu e os políticos mostrados, mas de todos os hóspedes desse andar e dos funcionários do hotel.

Apesar da vergonhosa “operação abafa” (omertá tupiniquim) movida pelos principais veículos de comunicação, o que demonstra um corporativismo criminoso (se não for rabo preso por culpa no cartório), ainda restam aos atingidos, como o PT, acionar a Polícia Federal e o procurador geral da República por se tratar de um crime ainda mais grave quando atinge ministros de Estado e põe em risco o Estado democrático de direito.

Cada vez mais fica complicado para o lado da revista de veja, e cada vez mais em suas reportagens fica claro que a revista usa formas criminosas para suas reportagens, que alem de ser uma revista, onde sua maioria é tucana e democratas, mostra que a cada semana, usa interesses próprios e esquece da democracia, onde quem sai lesado com esses tipos de reportagens um tanto criminosa, são os assinantes, leitores que com sua falsas matérias, infringe a constituição e o direito de reportagem verdadeira a todos os cidadãos brasileiros.

“Agora, foi José Dirceu. Amanhã, quem mais? Qualquer cidadão está exposto a isso. A Revista Veja acha-se no direito de agir como se não tivesse que prestar contas a ninguém. Como se estivesse inteiramente acima da Constituição e das leis do País. São necessárias providências enérgicas para punir esse comportamento, punir esses procedimentos, garantir que o Estado de Direito não seja desrespeitado como o foi neste caso. Trata-se até de resgatar o bom jornalismo. De levar os fatos a sério. De fazer coberturas jornalísticas sem a necessidade de utilizar-se de meios criminosos.” Emiliano José.

O que esperar de um veículo de comunicação que age desta forma? Pois bem, em tudo que se trata de partidos de esquerda e de manifestações, fica evidente que a mídia de um modo geral, age da mesma forma, sempre expressa suas opiniões e forma negativa, ao ponto de, em alguns casos, criminalizar atos que em sua origem se reforça a luta por direitos sociais! Nota-se que este caso referente ao que foi feito ao José Dirceu, nos traz a seguinte questão: Quantas vezes isso não deve ter ocorrido, e quantas vezes mais isso pode ocorrer? O fato é que a credibilidade que a revista possui se torna cada vez mais ameaçada, perante a um jornalismo realizado de forma vil pelos repórteres deste veículo!

sábado, 27 de agosto de 2011

A História dos Video-games

O primeiro vídeo game que se tem registro era feito por tecnologia de radares, com um dispositivo analógico ,simulando misseis em um ponto fixo em um osciloscópio. Ele foi criado por Thomas T. Goldsmith Jr. e Estle Ray
Mann em 1947.
A empresa Computer Space, criada por Nolan Bushnell e Ted Dabney, inicia a venda do primeiro arcade do mundo, baseado no jogo
SpaceWar no ano de 1971 e no ano seguinte, é lançado o primeiro console doméstico da história: Odyssey da empresa Magnavox.
Ao decorrer dos anos o jogos evoluíram,e fizeram ainda mais sucesso. Tais como Atari (e também o Odissey)- Nintendo e Master System (e similares) - Super Nintendo e Sega Genesis (vulgo Mega Drive) - Neo Geo, Nintendo 64.
Hoje os jogos são muitos mais variados, e continuam fazendo sucesso. No mundo dos computadores há uma infinidade de jogos com o estilo MMORPGs como Perfect World, Line Age, e o ilustrissímo World of Warcraft.
Há também outros com o estilo RPG. Na votação do baixaki, essas foram as colocações de jogos para PCs.

1 – Diablo III
(Da mesma produtora de Warcraft)
2. DC Universe Online
3. Crysis 2
4. Batman: Arkham City
5. Need for Speed SHIFT 2: Unleashed
6 – Portal 2
7 – Mass Effect 3
8 – Dead Space 2
9 – Guild Wars 2
10 – Star Wars: The Old Republic
11 – The Witcher 2: Assassins of Kings
12 – Deus Ex: Human Revolution
13 – Fable III
14 – Rage
15 – Total War: Shogun 2

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

O BRASIL EXPLICADO EM GALINHAS

O BRASIL EXPLICADO EM GALINHAS
Por: Luis Fernando Veríssimo

Pegaram o cara em flagrante roubando galinhas de um galinheiro e o levaram para a delegacia.

D - Delegado L - Ladrão

D - Que vida mansa, heim, vagabundo? Roubando galinha para ter o que comer sem precisar trabalhar. Vai para a cadeia!

L - Não era para mim não. Era para vender.

D - Pior, venda de artigo roubado. Concorrência desleal com o comércio estabelecido. Sem-vergonha!

L - Mas eu vendia mais caro.

D - Mais caro?

L - Espalhei o boato que as galinhas do galinheiro eram bichadas e as minhas galinhas não. E que as do galinheiro botavam ovos brancos enquanto as minhas botavam ovos marrons.

D - Mas eram as mesmas galinhas, safado.

L - Os ovos das minhas eu pintava.

D - Que grande pilantra... [mas já havia um certo respeito no tom do delegado...] Ainda bem que tu vai preso. Se o dono do galinheiro te pega...

L - Já me pegou. Fiz um acerto com ele. Me comprometi a não espalhar mais boato sobre as galinhas dele, e ele se comprometeu a aumentar os preços dos produtos dele para ficarem iguais aos meus. Convidamos outros donos de galinheiros a entrar no nosso esquema. Formamos um oligopólio. Ou, no caso, um ovigopólio..

D - E o que você faz com o lucro do seu negócio?

L - Especulo com dólar. Invisto alguma coisa no tráfico de drogas. Comprei alguns deputados. Dois ou três ministros. Consegui exclusividade no suprimento de galinhas e ovos para programas de alimentação do governo e superfaturo os preços.

O delegado mandou pedir um cafezinho para o preso e perguntou se a cadeira estava confortável, se ele não queria uma almofada. Depois perguntou:

D - Doutor, não me leve a mal, mas com tudo isso, o senhor não está milionário?

L - Trilionário. Sem contar o que eu sonego de Imposto de Renda e o que tenho depositado ilegalmente no exterior.

D - E, com tudo isso, o senhor continua roubando galinhas?

L - Às vezes. Sabe como é.

D - Não sei não, excelência. Me explique.

L - É que, em todas essas minhas atividades, eu sinto falta de uma coisa. O risco, entende? Daquela sensação de perigo, de estar fazendo uma coisa proibida, da iminência do castigo. Só roubando galinhas eu me sinto realmente um ladrão, e isso é excitante. Como agora fui preso, finalmente vou para a cadeia. É uma experiência nova. 

D - O que é isso, excelência? O senhor não vai ser preso não.

L - Mas fui pego em flagrante pulando a cerca do galinheiro!

D - Sim. Mas primário, e com esses antecedentes...