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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

ENTREVISTA COM ROSIMAR BRITO


ENTREVISTA COM ROSIMAR BRITO

Rosimar Brito é pacotiense, lecionou em todas as principais escolas do município de Pacoti e também na UECE.

Além da carreira de professora formada em Estudos Sociais pela UVA e com especialização em Administração Escolar, exerceu o posto de vice-direção da escola Menezes Pimentel e assumiu a diretoria de cultura, criando, nesse período, o Festival de Quadrilhas Juninas de Pacoti do qual fazia a apresentação.

Hoje, o Festival de Quadrilhas já faz parte da cultura local, sendo um dos principais incentivos do turismo cultural de Pacoti.

Ainda foi criadora da Gincana Cultural “Coruja Solidária”, quando nasceu o “Grupo Coruja”, que reunia membros de todas as equipes para encenar a saga “A coruja e os ratos” da qual Rosimar é autora e interpretou o papel da Coruja.

Na ocasião, houve uma parceria da Prefeitura com a UFC e o CeiC, com o advento do projeto “Intercâmbio Cultural” do professor Tarcísio Santiago, o qual doou uma grande hemeroteca, que, por muitos anos, se estabeleceu como parte integrante do acervo do Teatro Luís Pimenta.

Na época, a ombudsman do jornal “O Povo”, Adísia Sá, fez doação de uma biblioteca, que permanecia na escola Enéas Hortêncio.

Atualmente, Rosimar Brito ajudou a criar a APAIP ( Associação dos Poetas e Artistas Independentes de Pacoti) e a SEMPRE ( Segmento de Estudiosos da Memória e Patrimônio Regional da Serra de Baturité) e o Arquivo Público de Pacoti- Arquivo José Audísio de Sousa.

Vamos à entrevista:

Ateu Poeta: 1°- Por que você decidiu ser professora? O que há de especial no magistério?

Rosimar Brito: -Sou professora por vocação. Desde criança sempre nutri uma admiração muito grande pelo magistério que, para mim, é uma das profissões mais importantes por ajudar a formar a personalidade do cidadão.

AT: 2°- Como foi a experiência de criar uma gincana cultural, um grupo de teatro ama dor, uma associação responsável pela criação de um arquivo público, um grupo de poetas e um festival de quadrilhas em seu município?

RB:- Todos nós temos o dever de lutar por uma sociedade mais justa, participativa e igualitária. Em todas essas iniciativas nada mais fiz do que exercer o meu papel de cidadã, visando a integração de vários setores sociais.

AT:3°- Você foi homenageada com uma medalha de cidadã honorária pela Câmara municipal de Pacoti. Como você se sente sendo uma verdadeira cidadã-honorária?

RB:- A Medalha do Mérito Legislativo que em 2004 me foi conferida pela egrégia Câmara municipal de Pacoti representa o reconhecimento daquela instituição pelo trabalho de cada homenageado no seio da sociedade.

Senti-me muito honrada ao merecê-la e surpresa com tal iniciativa em relação à minha pessoa.

AT:4°- Na época do “Grupo Coruja” o então governador do Estado, Ciro Gomes, conversou com vocês do grupo. Conte-nos como é propor um projeto diretamente ao governador do Estado cara a cara, de igual pra igual?

RB:- O governador do Estado nada mais é do que um representante de uma sociedade.

Para nós da Gincana Coruja Solidária propor a ele, através de um abaixo-assinado, a compra do prédio onde outrora funcionava o Seminário dos Padres Salvatorianos, foi uma iniciativa que se fazia necessária dada a necessidade de se criar espaços adequados à implantação de um campus universitário nesta cidade para atender à demanda da região.

Universidade Federal do Ceará foi a ponte entre Pacoti e o gabinete do governador Ciro Gomes, através do projeto “Intercâmbio Cultural”.

AT:5°- O Jornal Delfos gostaria que você deixasse uma mensagem de incentivo para aqueles que pretendem lecionar, virar cidadão honorário ou criar propostas que gerem melhorias para o seu município, tanto no aspecto físico quanto no intelectual.

RB:- Apesar da luta constante pela melhoria da qualidade de vida da população, nossa gente continua precisando de incentivo para continuar melhorando. E o profissional da educação é um dos principais instrumentos de transformação dessa realidade que se apresenta cada vez mais caótica.

É preciso acreditar, é necessário investir mais e mais nesse profissional para que ele continue a influir na mudança de paradigma da sociedade.

O município precisa cada vez mais de cidadãos conscientes de seu papel social, e, por isso, é urgente que cada um exerça o seu papel, desempenhando a sua função.

Ateu Poeta
Entrevista concedida por meio de questionário na cidade de Pacoti-Ceará em Agosto de 2010.

ENTREVISTA COM ASA HEUSER E ANDRESSA

Esta é a 5ª entrevista. Aqui, converso com duas riograndenses, simultaneamente.

Asa Heuser mora em Guaíba, RS. É professora de Inglês e Sueco.


Andressa mora em Venâncio Aires, RS. Não tem trabalho fixo, faz “bicos” de atendente e babá.

Vamos à entrevista:

Ateu Poeta: O que vocês estão achando do caso Datena?

Asa Heuser: O que deu para perceber foi que há uma atitude generalizada de que os ateus são pessoas automaticamente sem moral, e o Datena reforça esse preconceito cada vez que usa o seu bordão "Isso é coisa de quem não tem deus no coração".

Esse bordão ele usa há muito tempo, e a princípio eu tenho a impressão de que era mais direcionado a determinada vertente religiosa, que seria "coisa do capeta", na opinião do apresentador.

Já no dia 27 de julho de 2010, ele realmente se referiu diretamente a ateus e nesse caso acho que também houve uma motivação política no discurso dele.

Duas fontes independentes, CNT/Sensus e Fundação Perseu Abramo, já constataram que os ateus são uma categoria que tem a antipatia da maioria dos brasileiros.

Se o saudoso Betinho (Herbert José de Sousa) ou o Drauzio Varella se candidatassem a presidente neste país, perderiam as eleições apenas por serem ateus, mesmo sendo eles uns dos maiores benfeitores no Brasil.

Muita gente odeia os ateus porque não conhece nenhum. O que o Datena fez foi apoiar o preconceito e o ódio que estão aliados a esta ignorância.


Andressa: Eu não cheguei a ver ele na TV, pois não assisto, mas li um pouco sobre o caso na internet, é revoltante!

Não da para entender como um cara desse ainda pode ter um programa na TV!

Ele deveria pedir desculpas publicamente aos ateus e no mínimo tirarem ele da TV!

Ele é um babaca que se empolgou e nem deve ter visto a merda que fez.
AP 1: Por que será que confundem criminosos com ateus?

Asa: Porque esta é uma imagem convenientemente divulgada e reforçada pelas religiões para assustar os seus fiéis, com o fim claro de afastá-los de qualquer convívio com pessoas assim, para que não sejam influenciadas.

O "perigo" real é eles descobrirem que os ateus são pessoas normais, nem melhores nem piores que as demais.

Andressa: É pelo fato de ainda crerem que quem não tem Deus no coração é um monstro, a maioria acha que para sermos bons temos que ser fies a Deus, o que só mostra o quanto são ignorantes.


AP: O que os ateus podemos fazer para que se diminua o preconceito para conosco?


Asa: Devido ao preconceito muito forte é difícil para muitos assumir publicamente o seu ateísmo, mas esse seria um passo necessário para que ficasse claro que tipo de pessoas nós somos.

Por enquanto, só os que não correm o risco de sofrer represálias é que podem fazer isso, e a estes cabe, na medida do possível, divulgar o máximo de conhecimento e informação sobre o assunto para que possa haver uma mudança de opinião por parte das pessoas.

Estamos aqui para dizer "muito prazer, somos ateus e cidadãos como você, e não merecemos seu ódio".

Organizações como a Liga Humanista Secular do Brasil (LiHS), da qual sou vice-presidente, estão aqui para trazer esta mensagem, entre outras.

Andressa: Saírem do armário é um bom começo.


AP: Vocês já tiveram religião ou não, e se tiveram, por que hoje permanecem no ateísmo?

Asa: Quase todos os ateus foram criadas em lares religiosos. Comigo foi diferente, fui criada em uma família de ateus mas, mesmo assim, eu tive uma fase religiosa, de busca por alguma resposta "espiritual".

O ateísmo se torna praticamente inevitável, não é uma decisão, mas uma conclusão, a partir da análise de todos os argumentos em favor da existência de um deus.

Chega uma hora em que chegamos à conclusão de que os argumentos não convencem de jeito nenhum, e passamos a buscar respostas no mundo natural, através da ciência - que é uma atividade incompleta e imperfeita, e humilde o suficiente para admitir isso em vez de alegar ter a verdade absoluta.

Se os religiosos discordam de nós, tem todo o direito de fazê-lo com argumentos. Ter ódio de nós não vai resolver o debate sobre a existência de um ou mais deuses.

Andressa: Fui criada em uma família católica e fui batizada, não cheguei a fazer primeira comunhão não lembro o porquê, mas me recusei a fazer.

Eu tinha medo e duvidar da existência de Deus e de todos os outros santos, mas em uma aula de filosofia no ano passado nosso professor falou sobre questionar tudo, e foi o que eu fiz e vi quanta coisa errada tinha ali.



AP: Que providências, para vocês, o Brasil deveria tomar para que o preconceito religioso acabe, ou pelo menos diminua, uma vez que somos um Estado Laico?


Asa: O ensino religioso nas escolas públicas devia ser abolido, e deveria se ensinar a história das religiões nas aulas de sociologia e história, de forma neutra.

O ensino religioso deve ser restrito à igreja da preferência de cada família, e nas escolas particulares abertamente confessionais.

Um excelente texto que ilustra bem o problema pode ser encontrado nesse link, numa postagem feita no blog Bule Voador, o blog oficial da LiHS:

"Pesquisa da Universidade de Brasília conclui que o preconceito e a intolerância religiosa fazem parte da lição de casa de milhares de crianças e jovens do ensino fundamental brasileiro."



Andressa: Acho que assim como acontece com o preconceito racial deveria se criar um disque denúncia e por na cadeia os preconceituosos!

Todo o tipo de preconceito deve ser punido! Para começo, não ter medo de mostrar suas opiniões e mostrar que ser ateu não é coisa do outro mundo.

ATEU POETA
Ceará-Rio Grande do Sul

Entrevista concedida via e-mail.

ENTREVISTA COM FÁBIO HEAVY



ENTREVISTA COM FÁBIO HEAVY


FABIO HEAVY é criador da comunidade "Ateísmo e Anticristianismo" no site de relacionamentos "Orkut". Aceitou conceder-nos uma entrevista para o Jornal Delfos.

vamos à entrevista: 

A.T.: 1°.: Quando você disse "eu sou ateu" com convicção e por quais razões?


F.H.: NO FUNDO SEMPRE FUI ATEU POIS MESMO FREQUENTANDO RELIGIÕES COM MEUS PAIS,NO FUNDO NUNCA ACREDITEI EM NADA MAS EM MEADOS DO ANO 2000.



DEPOIS QUE VIM MORAR SOZINHO QUE ME AFASTEI DE TODA ATIVIDADE RELIGIOSA E ESTUDEI MAIS SOBRE O ATEISMO ONDE VÍ QUE ME ENCAIXAVA E ME DECLAREI ATEU!!



A.T.: 2°.: Você é ou já foi discriminado por ser ateu, com piadas ou de outra forma? E o que você pensa a respeito de pessoas que discriminam os outros por isso?

F.H.: DISCRIMINAÇÃO PESADAS E XINGAMENTOS SÓ O ORKUT MESMO MAS NA VIDA REAL JÁ SOFRI DESCRIMINAÇÃO DE FORMA MAIS BRANDA DO TIPO PESSOAS QUE FALAM DE VOCÊ PELAS COSTAS QUE TEU DEFEITO É NÃO CRER EM DEUS,TE ENCARAM COMO ALGUÉM INFERIOR POR CAUSA DISSO MAS EU NA VERDADE TENHO É PENA DESSE POVO ATRASADO POIS A IGNORÂNCIA DELES QUE OS CEGAM AO PONTO DE ME JULGAR PELO SIMPLES FATO DE NÃO CRER NO DEUS DELES SENDO QUE TANTOS QUE CREEM COMETEM OS PIORES CRIMES COMO PADRE PEDÓFILOS P/EXEMPLO!!!

A.T.: 3º Por que criar uma comunidade no "Orkut" com o nome "Ateísmo e
Anticristianismo" e desde quando a comunidade existe?

F.H.: A A&A FOI CRIADA NO DIA 15 DE FEVEREIRO DE 2007 APÓS EU E MEU PRIMO SERMOS EXPULSOS DE DIVERSAS COMUNIDADE ATEÍSTAS POR CRITICAR A RELIGIÃO CRISTÃ E SEUS ABUSOS AO ESTADO LAICO ABRINDO TÓPICOS DENUNCIANDO OS ROUBOS DOS PASTORES E ESCANDALOSOS DA IGREJA CATÓLICA COMO AS CARNIFICINAS DAS CRUZADAS E DA INQUISIÇÃO,ETC.

AÍ SURGIU A IDEIA DE SELECIONAR OS ATEUS QUE NÃO QUEREM SE CONFORMAR COM ESSA SITUAÇÃO DA NOSSA SOCIEDADE E QUE QUEIRAM COMBATER O CRISTIANISMO DE UMA FORMA EDUCADA E SÉRIA SEM XINGAMENTOS IDIOTAS OU OFENSAS GRATUITAS AOS CRISTÃOS!

NA A&A NÃO BASTA SER ATEU,TEM QUE SER UM LUTADOR CONTRA A SOCIEDADE DOMINADA PELO CRISTIANISMO,NÃO É LUGAR PARA CONFORMISMO!

A.T.: 4º: Você acredita que a intolerância religiosa um dia acabará ou será isso uma "permanência história", uma coisa que jamais acabará?

F.H.: A HISTÓRIA DA HUMANIDADE QUE JÁ PASSOU NUNCA MUDARÁ POIS JÁ TÁ TUDO REGISTRADO E TODAS AS GUERRAS E CONFLITOS FORAM GERADOS PELA INTOLERÂNCIA,NÃO APENAS RELIGIOSA,ACREDITO QUE O TIPO DE INTOLERÂNCIA VAI MUDANDO DE ACORDO COM O TEMPO, MAS ESTÁ NA NATUREZA DO HOMEM DESTRUIR SEU SEMELHANTE,ENTÃO ACREDITO QUE A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA PODE ATÉ ACABAR, MAS OUTROS MOTIVOS SEMPRE SERÃO USADOS PARA FAZER GUERRA, INFELIZMENTE!

A.T.: 5º: Para você o que há que ser feito para que o ateísmo seja visto com naturalidade pelas pessoas que não são ateias?

F H.: EM PRIMEIRO LUGAR, O ATEU TEM QUE MOSTRAR, NO SEU DIA A DIA, QUE É UM SER HUMANO NORMAL COMO QUALQUER TEÍSTA, COM SUA FAMÍLIA,EMPREGO,ESTUDO,ATIVIDADES ESPORTIVAS E DE LAZER, IGUAL A TODOS,QUE NÃO SOMOS ASSIM TÃO DIFERENTES,QUE APENAS NÃO ACREDITAMOS EM DEUS, MAS ,NO RESTO, SOMOS IGUAIS,TEMOS SENTIMENTOS E AMOR AOS NOSSOS SEMELHANTES,QUE AJUDAMOS NOSSA COMUNIDADE,QUE TEMOS SOLIDARIEDADE PELO AMOR AOS SEMELHANTES E NÃO A UM DEUS INVISÍVEL.

E O PRINCIPAL, É NÃO AGIRMOS COMO VÂNDALOS.

XINGAR E HUMILHAR CRISTÃOS, PICHAR IGREJAS,DESTRUIR LOCAIS DE CULTOS SÓ MOSTRA A ELES UMA IMAGEM QUE SOMOS MARGINAIS QUE NÃO MERECEMOS VIVER EM SOCIEDADE!

TEMOS QUE MOSTRAR NOSSA VERDADE NA RAZÃO COM ARGUMENTOS CALÇADOS COM PROVAS CIENTÍFICAS E NO RESPEITO, POIS SE QUEREMOS SER RESPEITADOS.

TEMOS QUE RESPEITAR A CRENÇA DELES!
LUTAR, SIM, CONTRA OS ABUSOS E EXAGEROS INTERFERINDO NO ESTADO LAICO, MAS NÃO VIOLAR O DIREITO DELES EM CRER NO QUE QUISEREM!


ATEU POETA 
ENTREVISTA VIA ORKUT EM JULHO DE 2010

ENTREVISTA COM LIDIANE


ENTREVISTA COM LIDIANE

Dia desses, passando pela comunidade no orkut, vi um tópico que me chamou muita a atenção, uma história de uma menina que seria praticamente expulsa de casa simplesmente porque a sua família não aceita seu ateísmo.

Uma coisa que me deixou extremamente triste porque também sou ateu mas minha família jamais faria isso comigo. Imaginei-me na pele dela e resolvi entrevistá-la neste jornal, como uma forma de protesto em seu apoio pela liberdade de não crer em nada místico e pelo direito de ser respeitado por isso.

O nome dela é Lidiane, e ela sofre na pele um preconceito dentro da própria casa.Lidiane é nascida e mora no estado de São Paulo, ateia participante da comunidade "ateísmo e anticristianismo".

Esta entrevista é o modo de expressar todo o meu respeito pela sua liberdade de escolha. Saiba que tem o meu total apoio. E lhe desejo, Lidiane, muita sorte na vida.

Vamos à entrevista, então:

Ateu Poeta:
1° Por que você decidiu ser ateia?

Lidiane:
Ser ateia nunca foi uma decisão para mim.Nasci em uma família extremamente religiosa e que segue um pensamento puritano.

Simplesmente um dia, lendo um folheto religioso, me surgiu a pergunta: “Por que eu acredito em Deus?” e infelizmente – ou talvez felizmente – não houve resposta.Passei então a buscá-lo, a fim de reafirmar minha fé, mas o resultado foi o contrário.

No começo eu acha que duvidar da existência de deus era algo repulsivo, inadmissível; rejeitei muito um possível ateísmo, e muitas vezes me peguei dizendo “É claro que eu acredito, não posso duvidar ” “Deus existe! Há provas disso por todo lado”.


Quando percebi que estava sendo hipócrita ao querer enganar a mim

mesma, ao invés de aceitar minhas dúvidas, comecei a ter uma visão mais crítica,
a questionar, e a não me contentar em não entender determinadas coisas. Foi aí
que eu entrei num período de transição; primeiro virei agnóstica, hoje sou
ateia.

AP: 2° Qual o pior preconceito que sofreu a este respeito?

L: Ainda hoje tenho muita dificuldade em assumir meu ateísmo. Passei um ano e meio escondendo de todos e, inclusive, da minha família.Um dia cansei de agir como se eu ainda fosse uma cristã; Contei pra minha família.

Meus pais rejeitaram meu ateísmo, foram preconceituosos e quase me rejeitaram também.Disseram-me: “Não somos obrigados a conviver com alguém tão diferente de nós” “Quando você fizer dezoito anos não precisa mais voltar para casa”.


Depois de tanta discussão, minha mãe chorando disse: “Então você não acredita em nada?! Você precisa acreditar em alguma coisa... e quando você precisar de ajuda, a quem

vai pedir, pra quem irá pedir um refugio ou consolo?”.

Nesse momento, mais do que nunca, percebi o real motivo da fé...Meus pais só me fizeram ter a convicção de que o ateísmo é a forma mais coerente de enxergar o mundo.

AP: 3° O que você acha que é necessário que aconteça para que o preconceito contra os ateus diminua?

L: Não sei dizer ao certo. Sabemos o quanto a religião tem um poder muito grande de influência sobre as pessoas, e é exatamente a religião e a própria bíblia que condicionam o pensamento preconceituoso contra nós ateus.

A maioria das pessoas tem uma visão distorcida e generalizada de nós, por isso, para que consigamos diminuir esse preconceito nós devemos mostrar às pessoas quem somos, o que pensamos, o quanto podemos ser morais, bons e éticos sem termos religião ou crença.



AP: 4° O que a faz continuar sendo ateia?


L: Posso manter um olhar crítico, aceitar ou rejeitar algo sem precisar me manter centralizada num conceito espiritual ou dogmático.

A visão religiosa fecha nossos olhos para muitas coisas, faz-nos enxergar somente aquilo que queremos ver ou aquilo que nossas crenças permitem/querem mostrar, mas não o que realmente acontece.

O que nos torna humanos é a consciência, e eu posso usar a minha sem ter que aceitar tudo o que um suposto deus faz e escolhe, estando certo ou errado, só porque ele é um deus.O único motivo, e por si só suficiente, para me fazer continuar sendo ateia é a falta de razões para crer em um deus especifico em meio a tantos outros deuses.


AP: 5° Deixe uma mensagem para aqueles que temem os ateus.

L: Você já parou para pensar que independente de crença as características que mais importam em um ser humano é o caráter, a bondade, o altruísmo, a ética e o amor? Todas essas coisas não se adquirem crendo, nem descrendo em deuses, mas simplesmente as temos, ou não.


Nós ateus, podemos ser tão maus ou tão bons quanto qualquer um que sente-se ao seu lado na igreja, que se ajoelhe e reze para Deus, leia a bíblia frequentemente
ou qualquer um que te cumprimente segundo os costumes da sua igreja.

Você sabe disso, só não aceita.


Ateu Poeta
Entrevista concedida em 18/06/2010
Ceará-São Paulo, via orkut e via e-mail

ENTREVISTA COM SILVEIRA VIANA

ENTREVISTA COM SILVEIRA VIANA

Um dia desses, passeando pelo Orkut, encontrei uma comunidade chamada “Ateísmo e Anticristianismo” e vasculhei o fórum.

Achei um relato de um professor, denunciando que tinha sido demitido de uma escola já há algum tempo por ser ateu, pura e simplesmente.


Esse não foi o único relato de intransigência religiosa que encontrei lá. Então, resolvi dar uma força, como pude; a simples palavra.

Todos devem saber, hoje, que intransigência religiosa é crime. Pois bem, mas nem todos sabem que isso vale também para combater o preconceito contra os ateus, que é imenso nesse país LAICO, que alguns insistem em chamar de católico.

Pois bem, acabou que o professor resolveu conceder-me uma entrevista para o Delfos. Fiquei indeciso quanto à hora de publicar esse conteúdo, todavia, dia desses, visitei a comunidade novamente e vi os comentários do professor.

Ele entrou com uma ação por danos morais e materiais contra a escola que lhe havia demitido sem justa causa e ganhou o caso.

A escola pagou a ele um pouco mais de 15.200 (quinze mil e duzentos) reais.

Então, sem mais conversa, trago agora em primeira mão, a 1° entrevista do Jornal Delfos, via internet.

Antes da entrevista em si conversamos um pouco:

Ateu Poeta: Cara, discriminar ateus é crime sim. Denuncia.

Vou usar o teu caso e outros pra criar um artigo em meu jornal em defesa dos ATEUS, se você me der permissão para usar o seu relato na comunidade "Ateísmo e Anticristianismo”.

Silveira Viana: Pode usar como quiser. Se precisar, até te dou uma entrevista.

AP: Com certeza, cara. Já criei o texto, mas uma entrevista seria muito bom. Será a primeira entrevista do meu jornal, já pegando um caso sério assim.

Pode ser via orkut mesmo?

SV: Pode sim.

AP: Eu também serei professor, daqui a uns tempos.
A primeira pergunta então:

A ENTREVISTA COMEÇA:

AP: 1- Há quanto tempo tu lecionavas naquela escola?

SV: Lecionava a cerca de três anos.

AP: 2- Onde se encontra tal escola (Estado e cidade).

SV: Brumado, BA.

AP: 3- Atualmente você dá aula em outro colégio ou está a procura de emprego?

SV: Dou aula em outros colégios. Estou empregado e bem empregado.

AP: 4- Conte-nos, como se deu o caso da sua demissão devido à intransigência religiosa do diretor.

SV: Alguns alunos descobriram que eu era ateu, e me perguntaram se eu me importava em fazer um debate sobre evolução e criação, achei super interessante e aceitei.

Eles falaram com a direção e com outro professor, que dava aulas de filosofia e era seminarista, marcamos.

Todo o ensino médio participou, começamos a expor nossos pontos de vista. Até que um aluno me perguntou se eu acreditava em Deus, dei um sorriso e disse que não, que era ateu.

O burburinho se instalou. Terminou o ano e a diretora disse que não precisava mais dos meus serviços e disse: "aonde os meus alunos vão chegar com um professor ateu?". Respondi: "eu sou professor da sua escola se você acha que isso é pouco? então!" foi assim.

APProfessor, obrigado por conceder a entrevista ao Jornal Delfos e acima de tudo, obrigado pela ideia da entrevista on-line, o que ocasiona uma reconfiguração do próprio Delfos, uma vez que não nos passava pela cabeça realizar entrevistas on-line. Tentaremos fazer com que essa experiência se repita.

Ateu Poeta
Presidente do Jornal Delfos
Ceará-Bahia, via Internet, 2010

terça-feira, 3 de setembro de 2019

POEMA SEM FIM


POEMA SEM FIM

PARTE IV

De que matéria fui feita eu
Que contraria a tudo que é humano
Que sentimento tão profano
Uniu-me a consciência de um ateu?

Sem planos, sem objetivos
Passo os dias nessa vã procura
De uma doença para minha cura
Alimentando sentimentos corrosivos.

Matei meus sonhos mais queridos
E os trago a mim acorrentados
Pra tornar o fardo mais pesado
Arrastando um coração já combalido.
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PARTE X 

Há em mim um sentimento inexplicável
Um medo, um temor indescritível
À luz do sol me faço invisível
E à noite, uma sombra indecifrável.

Contra o que tenho lutado e desde quando?
Me ensanguento nessa luta imaginária
Erguendo a minha espada solitária
À um exército de fantasmas sem comando.

Às vezes fujo, apressando os meus pés
Temo muito o embate principal
Pois, a minha armadura é de cristal
E os gládios são tão fortes e cruéis.

Janete Roen

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

DISCURSO DE ROSIMAR BRITO AO RECEBER A MEDALHA DE MÉRITO LEGISLATIVO EM 2004

https://jornaldelfos.blogspot.com/2018/11/discurso-de-rosimar-brito-ao-receber.html
DISCURSO DE ROSIMAR BRITO AO RECEBER A MEDALHA DE MÉRITO LEGISLATIVO EM 2004

Senhoras e senhores, queridos familiares, caros amigos:

Li, certa vez, uma artigo que citava um fato curioso: uma figura ilustre , representante da cultura cearense, em protesto contra a implantação de valores estranhos à cultura popular local, disfarçou-se de mendiga caipira e adentrou o recinto onde estava presente a elite social daquela cidade.



Convidada a retirar-se do local por estar "atrapalhando" aquela apresentação cultural, a celebridade, consciente do impacto que causaria a todos, retirou o lenço da cabeça , ergueu altivamente o rosto para a plateia e nada precisava fazer para que todos a reconhecessem e os promotores do evento envergonhados lhe apresentassem as suas desculpas.



Em Pacoti, hoje, acontece o inverso: pessoas de pouca representatividade no contexto social do município, como eu e meus familiares (inclusive meus pais) aqui presentes, podemos vivenciar momentos únicos como este na vida de um cidadão, em que a cúpula política do Município de Pacoti, na figura dos ilustres representantes do povo na Câmara Municipal, sem qualquer favor, barganha ou interesses escusos, presta uma das mais importantes homenagens à pessoa de uma professora, filha desta terra.

Fico muito feliz com esta iniciativa porque reconheço a importância deste Comenda e o que ela representa para quem dedicou toda a sua vida ao trabalho e, principalmente, à Educação, alicerce de todos os cargos e encargos sociais e nem sempre valorizado.



Para o final de nossa caminhada sobre a Terra, geralmente ficam as dores (do corpo e da alma), a morte e o esquecimento. Atitudes como esta dos titulares desta egrégia Câmara Municipal, hoje,  garantem para as futuras gerações, a imortalidade de pessoas que deixarão o seu legado e o seu testemunho de fé e coragem na busca e conquista de dias melhores.



Agradeço, de coração es deferência e aceito-a, sem nenhum constrangimento, porque sei que ela é sincera e verdadeira, pois conheço, de perto, os motivos pelos quais os senhores parlamentares da minha querida Pacoti incluíram meu nome na lista dos dez merecedores desta honrosa homenagem.



Não seria verdadeiro nem honesto da minha parte, esconder ou tentar disfarçar, neste momento, a grande satisfação e o imenso orgulho que me invadem a alma. Satisfação por gozar do privilégio de compartilhar esta homenagem com figuras humanas dignas das mais altas manifestações de respeito e reconhecimento, como o Ir Zoé e todos os outros aqui escolhidos. E orgulho por considerar -me uma pessoa abençoada por Deus e, por esta razão, uma mulher muito, muito feliz mesmo em poder dividir com os meus pais, meus filhos, meus inseparáveis irmãos, parentes e amigos, todos muito amados, que se fazem presentes a esta solenidade, as glórias deste momento único e muito significativo na vida de quem caminhou firme rumo à construção da própria identidade. Muito obrigada!

Rosimar Brito
2004