
SONHO COSMOPOLITA
Há de se aprender amar inteiro, externo,
dentro, no meio, na fúria, no olho do furacão;
tem que ser desmedido, aberto, de longe, tão perto,
no magma, no manto, do furo ao teto;
deve ter a força da tectônica quebrando fronteiras
de armas, de muros, de grana, de pele, de credo;
pode sacudir o mar aqui, acolá, ali, além do bloco,
mais fundo, no raso, do rosto molhado de sal;
há de se educar para transitar livre em qualquer pedaço,
dar passos largos e longos abraços, sorrir em todo idioma;
tem que ser laço bem dado, cadarço de sapato que pisa sem medo,
dedo que aponta bioma cuidado, vento de novas sempre boas;
deve ter pombas reais e paz entre todas as espécies, peças completas,
portas abertas, mesas fartas, brilho nos olhos, caminhos tranquilos;
pode derreter geleiras, aumentar o mar, tremer qualquer lugar...
cada homem e do mundo todo, a Terra e de toda gente.